Acordo sugerido pela Americanas a bancos prevê interrupção de investigações, afirma Safra
Instituição financeira é uma das principais credoras da empresa, mas não aderiu a acordo por achar que houve fraude na varejista
Economia|Do R7

O banco Safra, um dos principais credores da Americanas, acredita que houve fraude na rede de varejo e que o acordo anunciado nesta segunda-feira (27), em que outros bancos aceitaram apoiar o plano de recuperação judicial da companhia, prevê interrupção de investigações.
O Safra não aderiu ao acordo anunciado na véspera pela empresa que tem os bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcelo Telles como acionistas de referência. O acerto anunciado pela Americanas envolve os bancos Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil, que compreendem mais de 35% da dívida da companhia.
Além desses bancos e do Safra, são credores da Americanas Banco do Brasil e BV. "O acordo proposto prevê interrupção das investigações e, portanto, desconsidera o justo interesse da sociedade e de todos os impactados de saber o que ocorreu de verdade", afirmou o Safra em resposta a um questionamento da Reuters.
Segundo o texto do acordo de apoio à reestruturação, as partes se obrigam a suspender ações existentes "desde a presente data e se absterem de iniciar novas demandas contra qualquer parte". Os credores apoiadores, o grupo de bancos que aderiu ao acordo proposto, também se obrigam "em caráter irrevogável e irretratável a não promover, direta ou indiretamente, qualquer demanda contra qualquer outro credor apoiador", segundo o texto.
O atual plano de recuperação envolve aporte de R$ 12 bilhões pelo trio de bilionários na Americanas e a conversão de R$ 12 bilhões em dívidas em ações da empresa. O plano também permite vantagens de recebimento, embora com forte desconto, para quem aderir. "A injeção de recursos não pode desconsiderar que houve a maior fraude contábil do Brasil e uma das maiores do mundo", afirmou o Safra, com exposição de R$ 2,5 bilhões a Americanas.
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Uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) sobre o escândalo da varejista, que teve de recorrer à recuperação judicial no início do ano, sob peso de R$ 50 bilhões em dívidas e em meio à revelação em janeiro de "inconsistências contábeis" bilionárias ocorridas na gestão anterior da empresa, foi encerrada em setembro sem apontar responsáveis pelo rombo.
Durante a CPI, a própria Americanas disse ter indícios de que tenha ocorrido uma fraude estimada pela companhia em mais de R$ 25 bilhões no resultado e citou nominalmente alguns ex-diretores. Os diretores mencionados, porém, não compareceram à CPI ou permaneceram calados perante os parlamentares, com o apoio de decisões judiciais que asseguravam tal conduta.
Procurada sobre os comentários do Safra, a Americanas negou que o acordo firmado com os bancos credores implique em suspensão de investigações. "O acordo não gera nenhum impacto nas frentes de esclarecimento conduzidas pelo comitê independente (organizado pela empresa), Polícia Federal, Comissão de Valores Mobiliários, B3 e Ministério Público Federal", afirmou a Americanas, e citou que tem colaborado com todas as autoridades responsáveis.
É a recuperação judicial de uma, o pedido de falência de outra, tem aquela que recebeu ordem de despejo, e mais uma, que está reestruturando seu modelo de negócios. Dificilmente o consumidor brasileiro tenha testemunhado em algum outro momento uma cris...
É a recuperação judicial de uma, o pedido de falência de outra, tem aquela que recebeu ordem de despejo, e mais uma, que está reestruturando seu modelo de negócios. Dificilmente o consumidor brasileiro tenha testemunhado em algum outro momento uma crise tão grave afetando tantas empresas ao mesmo tempo. Antes de 2020, uma parte do setor de varejo já estava com problemas financeiros, mas a pandemia da Covid-19 acabou com os planos de crescimento de várias companhias, enquanto criou falsas expectativas em outras, que investiram muito mais do que podiam






















