Alta de juros é positiva, diz ex-diretor do Banco Central
Copom aumentou a taxa básica de juros para 11,25% ao ano nesta semana
Economia|Do R7

A alta da Selic anunciada nessa semana pelo Copom (Comitê de Política Monetária) é a primeira atitude concreta para ajustar a economia, segundo o sócio-fundador da gestora Mauá Sekular e ex-diretor do BC, Luiz Fernando Figueiredo. Para ele, o ajuste da política monetária tende a ser menor por ter começado antes do esperado.
— Se você tem de tomar um remédio e toma antes de o quadro se tornar crônico, no final você acaba tomando menos e em doses menores, com efeito colateral menor.
Segundo Figueiredo, existe uma sinalização da presidente reeleita Dilma Rousseff de que a política fiscal tende a ser mais responsável no segundo mandato. Entretanto, por enquanto isso é apenas um sinal e por isso é difícil mensurar a magnitude do ciclo de aperto monetário.
Um dos motivos para a sinalização de retomada de uma política fiscal mais sustentável, na avaliação de Figueiredo, é que o governo sabe que as agências de classificação de risco estão alertando que o Brasil pode perder o grau de investimento, no médio prazo, se continuar na trajetória atual.
Outro receio do governo é com um possível descontrole da inflação, que tem impactos muito negativos, tanto na economia quanto em termos de popularidade.
— O fato é que o governo aceitou mais inflação nos últimos quatro anos, mas sabe que isso não quer dizer deixar a inflação ir para 6,5%, 7%, 8%. A decisão dessa semana é o BC dizendo que não está satisfeito com a inflação no teto da meta.
Figueiredo afirma que, na visão do BC, o aumento de juros anunciado não contradiz, do ponto de vista técnico, as recentes medidas de liberação de compulsório. Mesmo assim, o ex-diretor disse acreditar que essas ações acabaram tendo um saldo final negativo.
— As medidas de compulsório podem até ter razão, do ponto de vista específico dos setores afetados, mas o efeito de sinalização acrescentou mais incertezas. O efeito colateral foi pior do que o remédio.
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Ele também acredita que a decisão do Copom nesta sábado (1°) não tem nenhuma relação com possíveis mudanças na diretoria da instituição, tendo em vista que alguns membros já teriam tempo de casa para se aposentar. Para Figueiredo, o placar dividido da decisão (com cinco votos favoráveis ao aumento e três pela manutenção) reflete o fato de os integrantes do comitê acreditarem que estão tomando uma atitude preventiva. Mesmo assim, "a decisão dividida não reduz a importância da sinalização" dada pela autoridade monetária.
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