Robótica transforma sala de aula em laboratório para preparar estudantes para o futuro
Nova temporada dos torneios FIRST chega ao Brasil com desafios inspirados na biodiversidade e estimula estudantes a desenvolverem habilidades de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática
Sistema Indústria |Do R7

Imagine aprender conceitos de matemática, programação e engenharia enquanto constrói um robô capaz de solucionar problemas e cumprir missões. Para estudantes que participam dos torneios de robótica FIRST promovidos pelo Serviço Social da Indústria (SESI), essa experiência faz parte da rotina escolar — e vai muito além da competição.
Em setembro, o SESI lança no Brasil a temporada 2026/2027 dos torneios FIRST, que traz novos desafios relacionados à biodiversidade. A iniciativa também se conecta a uma necessidade estratégica para o desenvolvimento da indústria brasileira: formar, desde a educação básica, jovens preparados para lidar com tecnologia, inovação e resolução de problemas.
A proposta é aproximar os estudantes de questões do mundo real e transformar o aprendizado em uma experiência prática, colaborativa e criativa. Ao estimular essas competências, a educação tecnológica contribui para aproximar a formação dos jovens das transformações pelas quais passa o setor produtivo, marcado pela digitalização, pela automação e pela busca por soluções inovadoras.
Na modalidade FIRST LEGO League Challenge (FLLC), por exemplo, a temporada 2026/2027 recebeu o nome de BIOGLOW. Os participantes terão de desenvolver soluções e programar robôs para cumprir missões relacionadas à natureza, explorando diferentes ambientes, da copa das árvores ao subsolo.
A competição é voltada a estudantes de diferentes faixas etárias. O FLLC atende crianças e adolescentes de 9 a 15 anos; o FIRST Tech Challenge (FTC), jovens de 12 a 18 anos; e o FIRST Robotics Competition (FRC), estudantes de 14 a 18 anos. Cada modalidade apresenta diferentes níveis de complexidade, mas todas têm em comum a combinação entre tecnologia, criatividade, estratégia e trabalho em equipe.
Da teoria para a prática
Mais do que ensinar a montar e programar máquinas, a robótica cria situações em que os estudantes precisam aplicar conhecimentos adquiridos em diferentes disciplinas para resolver problemas.
É nesse ponto que entra a abordagem STEAM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. No modelo adotado pelo SESI, os alunos são estimulados a criar, experimentar, testar hipóteses e encontrar soluções para desafios que simulam situações do mundo real.
Essa formação prática também ajuda a desenvolver competências relacionadas às demandas de uma indústria cada vez mais tecnológica. Ao colocar os estudantes em contato com programação, engenharia, inovação e trabalho colaborativo, a robótica educacional contribui para construir uma base de conhecimentos que pode ser aplicada futuramente em diferentes setores da economia.
Na prática, uma equipe precisa dividir tarefas, estabelecer estratégias, administrar projetos e lidar com erros e imprevistos. O processo também estimula competências como raciocínio lógico, pensamento computacional, criatividade, inovação e colaboração.
São habilidades que ganham relevância diante da transformação dos processos industriais e da necessidade de profissionais capazes de compreender tecnologias, solucionar problemas e desenvolver novas aplicações.
Biodiversidade como inspiração
Ao colocar a biodiversidade no centro dos novos desafios, a temporada 2026/2027 amplia essa conexão entre tecnologia e questões contemporâneas.
O tema permite que os estudantes pensem em como a ciência e a inovação podem ser utilizadas para compreender ambientes naturais, identificar problemas e desenvolver soluções. Assim, a tecnologia deixa de ser apresentada apenas como ferramenta e passa a ser também um meio para investigar o mundo e propor mudanças.
A experiência também reproduz uma dinâmica presente no setor industrial: a busca por soluções para problemas concretos a partir da combinação de conhecimento científico, tecnologia e criatividade. Essa aproximação entre educação e inovação é importante para a formação de profissionais que atuarão em uma indústria cada vez mais orientada pela transformação tecnológica e pela sustentabilidade.
A escolha do tema reforça ainda uma característica da robótica educacional: apresentar aos jovens problemas que não têm necessariamente uma única resposta correta. Em vez de apenas reproduzir um conteúdo, eles precisam pesquisar, criar hipóteses, testar ideias e justificar suas escolhas.
Uma porta de entrada para novas profissões
Ao longo desse processo, os estudantes também podem descobrir interesses que vão além da sala de aula.
Engenharia, programação, ciência de dados, tecnologia, design e outras áreas ligadas à inovação são apresentadas de maneira prática durante os projetos. Para muitos jovens, o contato com essas atividades pode ser o primeiro passo para imaginar uma carreira em áreas relacionadas à ciência e à tecnologia.
A aproximação entre educação e mundo do trabalho é um dos pontos centrais da atuação do Sistema Indústria. Por meio de instituições como SESI e SENAI, o Sistema Indústria desenvolve iniciativas voltadas à educação, à formação profissional, à inovação e ao fortalecimento de competências necessárias para acompanhar as transformações do setor produtivo.
O SESI destaca que a robótica está integrada ao currículo de suas escolas e tem entre seus objetivos estimular o protagonismo juvenil, ampliar o acesso ao conhecimento tecnológico e despertar vocações para ciência e engenharia. Nesse contexto, os torneios FIRST fazem parte de um conjunto de iniciativas que contribuem para aproximar os jovens da ciência, da tecnologia e da inovação desde a educação básica.
Ao investir na formação dessas competências, o Sistema Indústria contribui para aproximar a educação das necessidades de uma indústria que demanda profissionais preparados para trabalhar com novas tecnologias e participar de processos de inovação.
Com a nova temporada dos torneios FIRST, essa experiência ganha um novo desafio: usar criatividade, conhecimento e tecnologia para olhar para a biodiversidade e pensar em soluções para o futuro. Mais do que preparar equipes para uma competição, a iniciativa amplia o contato dos estudantes com conhecimentos que podem acompanhar sua trajetória acadêmica e profissional — e ajudar a formar a próxima geração de profissionais que participarão do desenvolvimento da indústria brasileira.










