Dólar cai e termina a semana cotado a R$ 3,10
Perda de 0,47% fez a moeda norte-americana acumular queda de 1,36% na semana
Economia|Do R7

O dólar fechou a sexta-feira (17) em queda e de volta ao patamar de R$ 3,10, acompanhando o movimento no mercado externo e favorecido pela perspectiva de ingresso de recursos no País. O movimento, no entanto, foi contido por causa da cautela de investidores diante dos cenários político e fiscal.
Na sessão, o dólar recuou 0,47%, a R$ 3,10 na venda, depois de bater R$ 3,0937 na mínima do dia. O dólar futuro tinha queda de 0,7% no final do dia. Na semana, o dólar acumulou queda de 1,36%, interrompendo sequência de três ganhos semanais.
"Com a agenda esvaziada e o recuo da moeda [dólar] no exterior, os fatores positivos foram se sobrepondo", afirmou o operador de câmbio da Ourominas Corretora, Mauricio Gaioti. "A trajetória de baixa tende a continuar, se o noticiário político não atrapalhar", acrescentou.
O mercado acredita que o Brasil deve atrair mais recursos externos diante de alguns fatores, como a recente melhora da perspectiva do rating do país pela Moody's e o leilão de concessão dos aeroportos de Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis, que arrecadou R$ 3,7 bilhões.
No exterior, o dólar caía ante divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e a lira turca, em dia de recuperação dos preços das commodities, e serviu de referência ao câmbio local.
A sinalização de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não deve fazer altas adicionais nos juros neste ano, além das esperadas, também trouxe mais alívio ao mercado recentemente. Juros elevados tendem a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados hoje em outras praças, como a brasileira.
No entanto, as questões política e fiscal internas permaneceram no foco e seguraram quedas maiores do dólar nesta sessão. O mercado temia que o fato de vários políticos da base e ministros do governo do presidente Michel terem sido citados na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhada ao STF, pudesse atrapalhar a votação de importantes reformas, como a da Previdência.
"O contraponto desta tendência [de baixa do dólar] é a demora na votação das reformas estruturais, que pode atrasar o ajuste fiscal", afirmou a corretora Correparti em relatório.
O Banco Central realizou nesta sessão mais um leilão e vendeu a oferta total de até 10 mil swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Com isso, reduziu a US$ 8,711 bilhões o total que vence em abril e que ainda resta para rolar.















