Economia Dólar cai mais de 1% na abertura com sinal externo e Copom

Dólar cai mais de 1% na abertura com sinal externo e Copom

Real liderava ganhos nos mercados globais em meio à fraqueza da moeda americana, que perdia em 26 dos 33 principais rivais

Reuters
Dólar abre em queda nesta quinta-feira (21)

Dólar abre em queda nesta quinta-feira (21)

lkalamujic / flickr - 21/01/2021

O dólar abriu em queda de mais de 1% nesta quinta-feira (21), com o real liderando os ganhos nos mercados globais de câmbio, em meio à fraqueza generalizada da divisa norte-americana por esperanças de estímulos no governo Biden e com o mercado digerindo a sinalização de política monetária do Banco Central do Brasil.

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Às 9h11, o dólar spot caía 1,24%, a R$ 5,2448.

No exterior, o dólar perdia ante 26 de seus 33 principais rivais, com destaque positivo para moedas emergentes.

Como amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve a meta de taxa básica de juros (Selic) nominal em 2% ao ano, mínima histórica. Mas surpreendeu alguns no mercado ao encerrar o "forward guidance", mecanismo pelo qual o colegiado não pretendia reduzir o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas.

Investidores interpretaram essa mudança de linguagem como a retirada do empecilho mais imediato para um futuro início de um processo de alta de juros.

Para o Citi, é o momento de montar apostas que favoreçam o real contra o dólar. Profissionais do banco avaliaram que a perspectiva de um começo de normalização da Selic "em algum momento em breve" é importante condição para o real iniciar uma reversão das perdas de 2020.

"Acreditamos que o real terá um bom desempenho após o comunicado", disseram Leonardo Porto, Paulo Lopes e Alvaro Mollica em nota.

"Ainda que o comunicado não tenha sido necessariamente muito mais 'hawkish' (pró-aperto monetário) do que o esperado pelo mercado, remover o 'forward guidance' elimina um obstáculo à apreciação do real", acrescentaram, lembrando que players dos mercados local e offshore citam que o baixo "carry" é um importante fator na incapacidade do real de começar a mostrar um "muito aguardado 'catch-up'" (redução da distância ante pares).

O spread entre a taxa de câmbio do NDF de dólar/real de um ano e de curtíssimo prazo --uma medida do retorno da moeda brasileira para referência em operações de "carry trade"-- subia a 2,6% ao ano nesta quinta, de 2,3% da véspera.

No exterior, o dólar perdia ante 26 de seus 33 principais rivais, com destaque positivo para moedas emergentes. O índice do dólar recuava 0,26%. Investidores apostam que um grande pacote de estímulo nos EUA sob o governo Joe Biden e o apoio dos bancos centrais globais amortecerão danos econômicos causados pelo choque do coronavírus.

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