Dólar cai pelo sétimo pregão seguido e vale R$ 3,32
Queda de 0,58% da moeda do EUA foi puxada pela aprovação da PEC dos gastos no Senado
Economia|Do R7

O dólar terminou em queda ante o real nesta terça-feira (13), pelo sétimo pregão consecutivo, com algum fluxo de entrada e após o Senado aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto dos gastos, aliviando um pouco as tensões diante do cenário político.
Os investidores também ficaram sob a expectativa do encontro de política monetária do Federal Reserve, banco central norte-americano, no dia seguinte.
O dólar recuou 0,58%, a R$ 3,3260 na venda, depois de bater R$ 3,3658 na máxima do dia e R$ 3,3175 na mínima. Nestes sete dias seguidos de retração, a moeda norte-americana perdeu 4,22% ante o real, maior sequência de quedas desde o início de agosto passado, quando também marcou sete desvalorizações consecutivas.
"Aprovou, é o que interessa. Causa alguma preocupação em relação a outros temas que ainda serão votados mas, de bate pronto, a questão do aumento dos juros nos Estados Unidos é o que deve preocupar mais. Mas só amanhã", comentou um profissional de câmbio de uma corretora local.
O Senado aprovou mais cedo em segundo turno a PEC que estabelece teto para o crescimento das despesas públicas por 20 anos, com rejeição aos destaques que buscavam alterar o texto, em votação que contou com placar mais apertado.
O texto-base da PEC foi chancelado por 53 votos favoráveis e 16 contrários, numa sessão com menor presença de senadores e que demandava mínimo de 49 votos para aprovação. Na votação em 1º turno, foram 61 votos a favor e 14 contra.
No início da sessão, o dólar chegou a trabalhar em alta na expectativa pela votação e acompanhando a valorização da moeda norte-americana no mercado externo.
"O dólar subiu na abertura de olho no exterior e com algumas compras de importadores. Aí começou a ter algum fluxo de entrada", explicou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.
Havia bastante expectativa pela votação da PEC diante das fortes turbulências políticas que atingiram o governo do presidente Michel Temer, após o vazamento da delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho, que citou recursos repassados a líderes peemedebistas, incluindo Temer, o ministro Eliseu Padilha, o secretário Moreira Franco, entre outros.
O dólar recuou também nesta sessão pelo leilão de venda de dólares com compromisso de recompra anunciado pelo BC, numa oferta total de até US$ 4,2 bilhões para rolagem dos contratos que vencem em janeiro.
"Pode-se ler essa antecipação (da rolagem) como uma forma de prover hedge/liquidez ao mercado em um dia de cautela e tensão com a questão do ajuste fiscal nacional em fase crítica", comentou pela manhã a corretora H.Commcor em relatório a clientes.
Normalmente, o BC anuncia leilões de linha para rolagem no final do mês. A autoridade monetária encerrou na véspera a rolagem dos swaps cambiais tradicionais — equivalentes à venda futura de dólares — de janeiro, de US$ 5 bilhões. O próximo lote vence em 1º de fevereiro, correspondente a US$ 6,431 bilhões. No total, o estoque total de swaps tradicionais está em torno de US$ 26,6 bilhões, segundo dados do BC.
No cenário externo, o clima também era de cautela com a reunião do Fed, com ampla expectativa de que os juros voltarão a subir. Agora, os investidores querem saber se o banco central norte-americano passará a promover aumentos maiores nas taxas após a eleição de Donald Trump à Presidência do país.
Há temores de que sua política econômica seja inflacionária, o que obrigaria o Fed a ser mais agressivo em sua política de juros.















