Dólar começa terça-feira em alta, e Ibovespa recua com tensão externa
Visita de presidente da Câmara americana a Taiwan aumenta tensão entre EUA e China e eleva sentimento de risco internacional
Economia|Do R7

Nos primeiros negócios desta terça-feira (2), o dólar subia acentuadamente frente o real. às 10h05, no horário de Brasília, o moeda à vista avançava 0,69%, vendida a R$ 5,21. A alta está relacionada com o sentimento de risco internacional, devido às tensões crescentes entre Estados Unidos e China. Pelo mesmo motivo, a bolsa paulista abriu com viés negativo, acompanhando os futuros acionários norte-americanos.
Em momentos como este, há uma fuga para investimentos considerados seguros, como a moeda e títulos soberanos dos Estados Unidos. No mercado interno, a ansiedade é causada pela reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que dura dois dias, e começou nesta terça e se encerrará no dia seguinte. A expectativa de investidores é de que a taxa Selic seja elevada em 0,50 ponto percentual, a 13,75%.
Boa parte dos mercados acredita que esse aumento marcará o fim do longo processo de aperto monetário da autarquia, mas há quem veja possibilidade de extensão do aperto para setembro.
O índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes subia 0,30% nesta manhã, enquanto peso mexicano, peso chileno, rand sul-africano e dólar australiano, pares arriscados do real, tinham baixas expressivas.
Na B3, às 10h05 (hora de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,37%, a R$ 5,25. Quase no mesmo momento, às 10h07, o Ibovespa caía 0,12 %, a 102.100,98 pontos.
O dólar spot fechou a sessão da véspera com variação positiva de 0,09%, a R$ 5,17, mas teve uma depreciação expressiva recentemente, saindo dos níveis acima de R$ 5,50 atingidos na segunda metade de julho.
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Além da crise internacional envolvendo as duas grandes economias e a reunião do Copom, preocupações com a desaceleração da atividade econômica global influenciam o desempenho da bolsa brasileira. Tensões políticas e a temporada de balanços das empresas também ocupam a atenção dos agentes financeiros no Brasil.
Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a convocar seus apoiadores para manifestações no dia 7 de setembro. Ele garantiu que haverá eleições neste ano, um dia depois de o chefe do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, ter dito que quem ameaça não aceitar o resultado do pleito age dessa forma para desviar do fato de não ter sido votado pela maioria dos eleitores.
A crise entre Estados Unidos e China
A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, fará visita a Taiwan, mas a China é contra essa viagem, e emitiu repetidos alertas a respeito. A China reivindica Taiwan como parte de seu território.
Fontes do governo norte-americano afirmam que Nancy deve chegar a Taipé, capital de Taiwan, nesta terça-feira, e para mostrar sua insatisfação, a administração chinesa enviou vários aviões de guerra para sobrevoar o Estreito de Taiwan.
Os Estados Unidos disseram na segunda-feira (1) que não seriam intimidados por ameaças chinesas.
"O dia está amanhecendo com leve aversão a risco", escreveu Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG. "Todas as atenções estão voltadas para a eventual visita de Pelosi a Taiwan, e qual será a reação da China ao evento."
















