Dólar salta mais de 1,5% e encosta em R$ 3,25
Alta da moeda norte-americana foi puxada pela atenção com taxa de juros e eleição dos EUA
Economia|Do R7

O dólar saltou mais de 1,5% e encostou no patamar de R$ 3,25 nesta terça-feira (1º), pressionado pelos temores com a eleição norte-americana e antes do encontro de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
O dólar avançou 1,61%, a R$ 3,2412 na venda, depois de bater R$ 3,2552 na máxima do dia. Com o resultado deste pregão, a baixa de 1,9% da moeda norte-americana acumulada em outubro foi praticamente anulada. O dólar futuro operava com alta de cerca de 1,7% no final desta tarde.
"O mercado piorou quando saiu notícia dizendo que o [candidato republicano Donald] Trump passou à frente de Hillary [Clinton] nas pesquisas de intenção de voto", comentou o analista de câmbio da corretora Gradual Investimentos, Marcos Jamelli.
Desde que o FBI anunciou que vai investigar e-mails pessoais de Hillary enquanto era secretária de Estado, a candidata democrata à Presidência dos EUA vem perdendo força na corrida eleitoral. A eleição está marcada para o próximo dia 8.
Pesquisa da ABC/Washington Post mostrou o republicano 1 ponto percentual à frente da democrata. Em outro levantamento feito na véspera, da Reuters/Ipsos, Hillary havia diminuído a diferença para Trump, mas ainda liderava a disputa com 5 por cento de diferença.
Donald Trump ultrapassa Hillary Clinton em pesquisa
O peso mexicano, um dos mais sensíveis nessa pesquisa por conta da postura radical de Trump com relação aos imigrantes, passou o dia com forte queda ante o dólar.
"Amanhã tem Fed e estaremos de folga. E agora surge esse aperto nas pesquisas de intenção de voto nos EUA", emendou um profissional da mesa de câmbio de uma corretora, referindo-se ao feriado do Dia de Finados e que manterá os mercados brasileiros fechados.
Na quarta-feira, o Fed não deve mudar a taxa de juros, mas se prepara para um cenário de alta em dezembro em meio a sinais de que a economia está acelerando.
O Fed tem elevado cada vez mais a confiança sobre alta dos juros e sua chair, Janet Yellen, disse em setembro que uma mudança antes do final do ano era provável se o emprego e a inflação continuassem a se fortalecer.
As chances de novo aperto monetário em dezembro estavam em 78%, segundo o FedWatch do grupo CME. Atualmente, a taxa de juros dos EUA está entre 0,25% e 0,5%.
Eventual aumento nos juros na maior economia do mundo tende a atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro, o que poderia pressionar o câmbio local.
"Acho que o Fed não vai trazer novidade em termos de juros, mas a reunião traz cautela", comentou pela manhã o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.
Operadores também ressaltaram o fato de que, na noite passada, terminou o prazo para regularização de ativos brasileiros no exterior, o que vinha contribuindo para puxar o dólar para baixo nos últimos pregões.
O governo conseguiu arrecadar R$ 50,9 bilhões com multas e impostos, o equivalente à regularização de R$ 169,9 bilhões em ativos. O BC vendeu nesta manhã o lote integral de 5.000 contratos em swap cambial reverso, equivalente à compra futura de moeda.















