Dólar tem maior queda em um mês e volta a R$ 3,81
Recuo de 1,63% é reflexo das medidas de corte de gastos e aumento de impostos
Economia|Do R7

O dólar fechou esta segunda-feira (14) com a maior queda diária sobre o real em um mês, com investidores recebendo bem as medidas de corte de gastos e aumento de receitas anunciadas pelo governo como parte dos esforços para resgatar a credibilidade da política fiscal do País.
O dólar recuou 1,63%, a R$ 3,8138 na venda, maior baixa desde 10 de agosto, quando apresentou queda de 1,86%. Na mínima desta sessão, a moeda norte-americana atingiu R$ 3,8061 e, na máxima, foi a R$ 3,8937.
"As medidas do governo animaram o mercado. Resta saber se isso dura", disse o sócio-gestor da corretora Leme Investimentos, Paulo Petrassi. Segundo ele, o governo "ganhou tempo" para buscar reequilibrar a economia antes de perder o selo de bom pagador com outras agências de classificação de risco que não a Standard & Poor's.
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O governo federal anunciou nesta segunda-feira medidas fiscais de R$ 64,9 bilhões para garantir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto), envolvendo adiamento do reajuste dos servidores públicos, que garantirão economia de R$ 7 bilhões no próximo ano.
A medida vem após a S&P retirar o grau de investimento do Brasil, poucos dias depois de o governo enviar ao Congresso proposta orçamentária prevendo inédito déficit primário, que é a economia para pagamento de juros da dívida pública.
"O governo vem com tudo. Parece que quer mostrar que acordou", disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.
Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, vendendo a oferta total de até 9.450 contratos, equivalentes à venda futura de dólares. Ao todo, a autoridade monetária rolou o equivalente a US$ 4,080 bilhões, ou cerca de 43% do lote total, que corresponde a US$ 9,458 bilhões.
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Na operação desta sessão, o BC vendeu 3.500 contratos para 1º de dezembro de 2016 e 5.950 contratos para 3 de abril de 2017. Até a sessão passada, a autoridade monetária vinha ofertando contratos para 1º de agosto de 2016, substituídos pelos vencimentos em 2017.
Apesar do bom humor em relação à política fiscal brasileira, o mercado ainda adotava cautela antes da reunião do Federal Reserve nesta semana, diante da possibilidade de que o banco central norte-americano promova o primeiro aumento de juros em uma década. Essa perspectiva se tornou mais incerta nas últimas semanas, em meio a intensas turbulências financeiras relacionadas aos sinais de desaceleração da economia chinesa.
Pesquisa da Reuters com economistas mostrou que a ligeira maioria dos consultados esperava que o Fed opte por iniciar o aperto monetário nesta semana.
"No Brasil, você tem os cortes de gastos e lá fora você tem o Fed. É motivo suficiente para ter cautela", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.















