Durigan: basta alegação de que banco tem contas do PCC para haver interferência no Pix
Em entrevista, ministro da Fazenda demonstrou preocupação com decisão dos EUA sobre classificação de facções como ‘terroristas’
Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como terroristas pode afetar o Pix e bancos locais, pois bastaria a alegação de que há contas dessas organizações em instituições financeiras para uma possível intervenção do país norte-americano.
“As várias polícias do mundo que hoje se cooperam para enfrentar o terrorismo não estão acostumadas com esse tipo de designação. Então, o ato em si gera essa dúvida. As instituições estão, agora, mexendo nas regras de compliance”, afirmou Durigan, em entrevista ao Jornal da Manhã, da CBN.
Durigan também negou que o governo brasileiro esteja causando “terrorismo” na população quanto aos possíveis impactos dessa designação para o Pix brasileiro e afirmou ser lamentável que tal movimentação ocorra perto do período eleitoral.
“Precisamos proteger nosso país e a soberania. O patriotismo tem de aparecer quando mais importa. O que é lamentável é chegar, de novo, perto das eleições gerais — como aconteceu em 2022 — e quem não tem compromisso com a democracia, com a higidez eleitoral começar a gerar medo e preocupação na população. Vamos alertar para os riscos que podem aparecer, porque eles existem”, afirmou o ministro.
Durigan acrescentou que não recebeu qualquer fundamento da gestão do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, sobre a nova designação das facções e reforçou que existe risco aos bancos brasileiros e ao Pix, porque “medidas extravagantes geram riscos extravagantes”.
“Basta você ter uma alegação, uma visita da família [de Jair] Bolsonaro, dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC [Primeiro Comando da Capital]. Aí, a autoridade norte-americana pode afirmar o seguinte: ‘Esse banco está apenado e sancionado pelo Tesouro norte-americano’”, completou.
O ministro alertou, inclusive, que a sanção poderia ocorrer contra um banco ligado ao governo, como os estatais. Nesse caso, se alguém tentasse fazer movimentações para essa instituição, como um Pix, acabaria impedido.
O ministro comentou que não se reuniu com autoridades norte-americanas na semana passada, mas que pretende negociar sobre o tema em breve. Ele também lembrou que o governo brasileiro procurou firmar cooperação com os EUA contra o crime organizado.
Por fim, Durigan criticou a gestão do ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto. Para o ministro, à época, as fintechs puderam atuar sem fiscalização, o que abriu o caminho para entrada do crime organizado no sistema financeiro.
“Na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, houve abertura de uma possibilidade de não regulação de fintechs, que ficaram autorizadas a operar no Brasil, mas não sob a supervisão do Banco Central e até 2029. Isso criou um espaço um pouco anárquico para o crime organizado entrar no sistema financeiro”, avaliou Durigan.
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