Estados Unidos e Brasil têm decisão sobre juros nesta quarta-feira
Enquanto a previsão é de aumento nos EUA, no Brasil a expectativa é que seja interrompido o ciclo de altas
Economia|Do R7

Nesta quarta-feira (21), o Brasil e os Estados Unidos têm decisão sobre a taxa de juros. Os bancos centrais dos países utilizam essa medida como ferramenta para barrar a inflação.
No Brasil, a previsão é que seja interrompido o ciclo de altas consecutivas desde março de 2021. Atualmente, a taxa básica de juros — a Selic — é de 13,75%, e poderá ser mantida. A decisão deverá ser anunciada após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e do BC (Banco Central), a partir das 18h desta quarta-feira.
Já nos EUA, a expectativa é de que tenha um novo aumento. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu mais do que o esperado em agosto. Por isso, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed (Federal Reserve), banco central americano, poderá elevar sua meta em até 1 ponto percentual, o quinto aumento consecutivo desde março. O anúncio será feito a partir das 15h (horário de Brasília).
A medida afeta os investimentos e o câmbio no Brasil, porque tende a levar a uma saída de investidores de países emergentes. Investidores da Bolsa de Valores ou de renda fixa, por exemplo, deixariam o mercado financeiro brasileiro para aplicar nos EUA.
"O aumento dos juros surge tanto para estabilizar a questão inflacionária quanto para manter a força do dólar. Um movimento para evitar fragilizar a economia americana", explica Eduardo Fayet, consultor da Fundação da Liberdade Econômica.
Segundo ele, no Brasil e nos demais países emergentes, o principal efeito é a retirada de investidores a fim de migrar para o mercado americano.
"Quando falamos em investimento, a grande questão é a relação de remuneração de capital com o risco do país. Dessa forma, se a remuneração aumenta nos EUA, faz mais sentido para o investidor deixar o capital lá, um mercado mais confiável e estável", acrescenta.
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Para a economista Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, além disso, juros em alta nos Estados Unidos significam menor liquidez para os mercados – ou seja, menos dinheiro em busca de retornos no mundo, além da redução da atratividade relativa de ativos em países mais arriscados, como o Brasil. "Em bom português: com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior", afirma Rachel.
Além do fluxo de capital que atrai mais investimentos aos EUA, o dólar fica mais forte e, consequentemente, o real, mais fraco.
"Desse modo, o rumo dos juros nos Estados Unidos também impacta os nossos juros por aqui, especialmente aqueles determinados pela relação entre percepção de risco e demanda no mercado — os juros de longo prazo, que tanto afetam a vida de empresas e famílias no país", avlia a economista da Rico Investimentos.













