Para empresários, investimentos só compensarão se turistas levarem boa imagem
Rede hoteleira, por exemplo, investiu mais de R$ 7 bilhões para a Copa do Mundo
Economia|Da Agência Brasil
A Copa do Mundo já está aí! Na próxima quinta-feira (12), Brasil e Croácia entram em campo para a partida inaugural e, a partir de sexta-feira (13), serão duas semanas repletas de partidas, com três ou quatro jogos por dia. Para muitos brasileiros apai...
A Copa do Mundo já está aí! Na próxima quinta-feira (12), Brasil e Croácia entram em campo para a partida inaugural e, a partir de sexta-feira (13), serão duas semanas repletas de partidas, com três ou quatro jogos por dia. Para muitos brasileiros apaixonados por futebol, será talvez a única chance de assistir a todas as partidas de um Mundial em nossos estádios, seja in loco ou pela TV. Mas como conciliar o horário de trabalho com as partidas da Copa? Será que ver os jogos no local de trabalho pega mal com a chefia? Vai dar pra sair antes do horário só nos jogos do Brasil, ou em partidas importantes também? E para quem comprou ingressos de um jogo lá do outro lado do País? O que fazer? Na maior parte dos casos, tudo vai depender da sua relação com seus superiores, além das políticas de cada empresa. Mas algumas dicas de comportamento podem ajudar a curtir o Mundial sem prejudicar seu emprego. Confira as dicas dos especialistas nas imagens a seguir

Os benefícios de uma Copa do Mundo para o setor de turismo no Brasil podem ir muito além dos ganhos obtidos durante o evento, caso o Brasil aproveite a oportunidade e se torne um dos principais polos turísticos do mundo. Para que essa expectativa e os investimentos feitos se justifiquem, é fundamental que, ao deixar o País, os visitantes levem consigo uma imagem positiva da viagem. Na opinião de representantes dos setores hoteleiro, de alimentação e de agências de viagens consultados pela Agência Brasil, essa é a melhor propaganda para novos turistas. Além disso, boas lembranças estimulam o retorno daqueles que vierem ao Brasil para participar do maior evento do futebol mundial.
Segundo o Ministério do Turismo, 3,7 milhões de turistas brasileiros e estrangeiros se deslocarão pelo País durante a Copa. Desse total, 600 mil devem vir do exterior.
A estimativa é que esses turistas gastem cerca de R$ 6,7 bilhões durante o período. Para dar conta da demanda, hotéis e restaurantes tiveram de fazer investimentos, tanto nas estruturas como na contratação e capacitação de profissionais.
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Só os hotéis associados ao FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) — entidade que representa redes hoteleiras, nacionais e internacionais presentes em 130 cidades brasileiras — investiram mais de R$ 7 bilhões no setor, o que resultará na contratação direta e indireta de 600 mil empregados até 2016.
Presidente da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), Alexandre Sampaio diz que os setores representados pela entidade estão preparados para a demanda da Copa e que, entre junho e julho, vão contratar cerca de 37 mil profissionais — 29.930 para empreendimentos de alimentação fora do lar e 7.000 no setor de hospedagem.
De acordo com a FBHA, o percentual de ocupação de estrangeiros nos hotéis varia entre 35% e 60% do total no período de jogos. Os países que mais demandaram bloqueios (reservas feitas a partir de agências de viagens) foram Estados Unidos, Argentina, Espanha e Inglaterra, como explica Sampaio.
— A rede hoteleira existente hoje, a partir dos incentivos a novas construções, retrofits [modernização de estruturas, mas sem descaracterização da arquitetura] e ampliações, permitirá acomodar todos os turistas e visitantes que recebermos, nacionais e estrangeiros, para variados tipos de oferta de preço, qualidade de acomodações e estrutura de serviços. Os índices de ocupação, em hotéis de três a cinco estrelas, têm variado em todo o Brasil, porém, nos dias de jogos, os meios de hospedagem ficarão lotados.
Segundo o vice-presidente administrativo da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), Edmar Bull, é natural que se verifique elevação de preços em qualquer localidade que sedie um evento do porte de uma Copa do Mundo, até pelo impacto que tais eventos causam na relação entre oferta e demanda durante o período de jogos.
— No caso do Brasil, as tarifas relacionadas ao setor turístico sofreram, inicialmente, aumento correspondente às expectativas geradas pelo megaevento. Contudo, no último mês de abril, quando a organização da Copa devolveu uma série de apartamentos anteriormente bloqueados, observamos uma queda de preço nas diárias hoteleiras.
O próprio governo, que meses atrás havia manifestado preocupação com a possibilidade de aumentos exagerados nos preços das diárias de hotéis, tem se mostrado mais otimista.
“Há uma indicação da queda dos preços de hospedagem e passagens. A partir do momento que as companhias começaram a desbloquear essas vagas, os preços dos leitos e das passagens começaram a cair,” disse em maio à Agência Brasil o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.
“Os investimentos privados no setor de hospedagem têm foco não apenas na Copa do Mundo, mas também no mercado nacional, seja o corporativo ou de lazer. Haverá capacidade de compra para todos os bolsos”, informou Sampaio ao defender preços acessíveis para incentivar o turismo no País.
Para Edmar Bull, da Abrav, “é fundamental que o evento resulte em uma boa imagem do destino Brasil, uma vez que estaremos ocupando o noticiário internacional com extraordinário destaque".
— Aspectos como mobilidade urbana, segurança e sinalização turística são fatores que merecem especial atenção. Sem dúvida, a visibilidade midiática que a Copa do Mundo proporciona aos destinos turísticos brasileiros constitui, para as agências de viagens, o principal legado do evento.
De acordo com o FOHB, grandes eventos mundiais como a Copa do Mundo trazem oportunidades momentâneas e futuras para toda a cadeia produtiva do turismo.
“Mas o grande benefício é a visibilidade do Brasil como destino turístico. Este é o maior legado que um país-sede pode receber: ser mundialmente reconhecido, entre outras coisas, por sua variedade cultural, belezas naturais, hospitalidade e gastronomia".
No setor de alimentação, a Copa impactará de maneira diferenciada, explica Sampaio.
— Onde houver feriados e pontos facultativos, o serviço do almoço de negócios ou comercial sofrerá grande perda. Por outro lado, o chamado casual dinner [refeição de lazer, social ou de entretenimento], dependendo da localização, terá crescimento de clientela. Além disso, muitos bares terão telões, o que propiciará incremento na clientela.
Segundo ele, os restaurantes não correm risco de ser surpreendidos por uma demanda maior do que a projetada.
— As fábricas de bebidas estão abastecidas e o setor de alimentação fora do lar se preparou [suficientemente] para um possível incremento junto com toda sua cadeia de fornecedores.
Outro legado está relacionado à capacitação de profissionais nesses setores, o que foi feito em todas as cidades-sede por meio do Pronatec Copa.
“Ele propiciou, em todo o País, inúmeros cursos de formação e aperfeiçoamento, inclusive dentro das empresas. Além disso, o Programa Senac de Gratuidade complementou essa grade com qualidade e oferta variada. Vários estabelecimentos de alimentação adotaram, também, formações online e presenciais para seus quadros”, disse Sampaio.























