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PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026 e especialistas apontam economia resiliente

Dados do IBGE são referentes ao primeiro trimestre do ano; destaque foi para agropecuária e indústria

Economia|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, totalizando R$ 3,3 trilhões, com destaque para a agropecuária e indústria.
  • A economia mostrou resiliência apesar dos juros elevados, com crescimento concentrado em setores como construção civil e extração mineral.
  • Especialistas destacam que a recuperação é seletiva, mantendo o debate sobre juros e política econômica em evidência.
  • Empresas e consumidores estão adaptando suas estratégias, focando em eficiência operacional e racionalidade nas compras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A economia mostrou resiliência apesar dos juros elevados Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - Arquivo

A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos últimos três meses de 2025, segundo dados divulgados nessa sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado representa uma aceleração frente ao quarto trimestre do ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) havia avançado 0,3%, e ficou em linha com as projeções do mercado financeiro.


Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 461,2 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Os dados mostram que a agropecuária cresceu 2% no trimestre, enquanto a indústria avançou 1% e os serviços tiveram alta de 0,5%. Entre os destaques positivos da indústria estão a extração mineral, com crescimento de 3,6%, e a construção civil, que avançou 2,9%.


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‘Resistência econômica’

Para a pesquisadora e professora de economia da PUC-SP, Cristina Helena de Mello Pinto, o resultado reforça a percepção de que a economia brasileira continua demonstrando resistência mesmo diante do cenário de juros elevados.

“O crescimento sinaliza que a economia brasileira segue mostrando resiliência, apesar do ambiente de juros ainda elevados, de condições financeiras mais restritivas e do contexto global”, comenta.


Para a economista, na prática, o resultado indica um ritmo de atividade melhor do que se imaginava há alguns meses, mas ainda distante de uma aceleração pretendida.

“O mercado interpreta esse desempenho como um sinal de que a desaceleração esperada para 2026 deve ocorrer de forma gradual, e não abrupta”, diz.


Evolução do PIB trimestre a trimestre
Evolução do PIB trimestre a trimestre Arte/R7

Cristina também destaca que o crescimento da indústria ocorreu de forma concentrada em setores específicos. Agropecuária se destacou, com crescimento de 2%; depois, apareceram indústria (1%) e serviços (0,5%).

“O desempenho positivo da indústria, puxado principalmente pela construção civil e pela extrativa mineral, mostra uma retomada ainda bastante concentrada em setores ligados a investimento em infraestrutura, commodities e demanda específica. Por outro lado, a estabilidade da indústria de transformação revela que a recuperação ainda não alcançou de forma mais ampla os segmentos industriais de maior valor agregado e mais sensíveis ao consumo doméstico e ao crédito”, explica.

Ela ressalta que os números do primeiro trimestre devem manter o debate sobre juros e política econômica no centro das atenções nos próximos meses.

“No geral, o PIB do primeiro trimestre reforça a percepção de uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais seletivo e menos disseminado entre os setores. Isso deve manter o debate sobre juros e política econômica bastante sensível aos próximos dados de atividade e inflação”, completa.

Comportamento das empresas

Na avaliação de Thiago da Mata, CEO da Kwara, o resultado também evidencia uma mudança na forma como as empresas têm conduzido suas operações.

“Os números mostram uma economia ainda resiliente e revelam um movimento importante de mudança de comportamento das empresas. Em cenários de crescimento moderado, eficiência operacional deixa de ser diferencial e passa a ser prioridade”, afirma.

Segundo ele, isso impacta diretamente setores ligados à gestão de ativos e leilões corporativos. Muitas empresas estão revisando estoques, equipamentos parados, frotas e estruturas improdutivas para transformar custo em liquidez.

“Quando a economia cresce em ritmo mais cauteloso, a tendência é que o mercado fique mais atento à geração de caixa, produtividade e reaproveitamento de ativos”, analisa.

Para Thiago, o comportamento do consumidor brasileiro também mudou nos últimos anos.

“O consumidor brasileiro está mais racional. Ele busca oportunidade, compara preços e perdeu o preconceito com bens seminovos ou ativos vindos de desmobilização corporativa. Esse comportamento deve se intensificar nos próximos trimestres”, conclui.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Joana Pae, editora de texto.

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