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Queda no número de vagas com carteira assinada impulsiona trabalho doméstico e por conta própria

Em um ano, 1,184 milhão de pessoas perderam trabalho com carteira assinada, segundo IBGE

Economia|Da Agência Brasil

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Sem as garantias do emprego formal, brasileiros estão recorrendo à abertura de pequenos negócios e atividades de trabalho por conta própria, segundo Pnad
Sem as garantias do emprego formal, brasileiros estão recorrendo à abertura de pequenos negócios e atividades de trabalho por conta própria, segundo Pnad

O mercado de trabalho brasileiro está sofrendo uma mudança estrutural com a queda no número de empregados com carteira assinada no setor privado, analisou nesta sexta-feira (15) o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Cimar Azeredo.

Sem as garantias do emprego formal, muitos brasileiros estão recorrendo à abertura de pequenos negócios e atividades de trabalho por conta própria, mostra a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.


Em um ano, 1,184 milhão de pessoas (- 3,2%) perderam trabalho com carteira assinada se levados em consideração os meses de agosto, setembro e outubro de 2015 e 2014. O número de empregadores subiu 5,7%, ou 219 mil, e o de trabalhadores por conta própria, 4,2%, ou 913 mil. A renda desses dois grupos, no entanto, teve variação de -3,5% e -5,2%.

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Cimar lembra que o emprego com carteira assinada no setor privado teve uma trajetória de elevação nos últimos anos.


— É um número que por um bom tempo esteve em alta e que foi considerado por alguns economistas como o boom da carteira assinada. [...] As pessoas que estão perdendo a carteira assinada e recebendo indenização muitas vezes acabam abrindo o próprio negócio.

Trabalho doméstico


O coordenador da pesquisa aponta ainda que outra consequência dessa mudança estrutural é o crescimento do trabalho doméstico, que perde renda nesse cenário em que enfrenta mais concorrência e uma população com menos poder aquisitivo para contratá-lo.

— Quando não consegue um trabalho à altura, ele [o desempregado] busca opções, e as opções são, principalmente quando não há reservas, o trabalho doméstico e o trabalho no comércio voltado para a informalidade. [...] Às pessoas com nível de renda mais alto é dada a possibilidade de ir para a fila da desocupação. As pessoas com renda mais baixa, para se manter na legalidade, têm que imediatamente conseguir um trabalho.

Renda média do trabalhador caiu R$ 19 e a cesta básica subiu R$ 49,85 em um ano

Segundo a Pnad Contínua, a renda do trabalhador doméstico caiu 2,4% entre os meses estudados de 2014 e 2015. Já o número de trabalhadores subiu em 154 mil, com alta de 2,6%.

Setor de maior formalização, a indústria teve uma perda de 751 mil trabalhadores na passagem entre esses dois períodos.

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