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Professores admitem tema difícil e surpresa com redação do Enem 2017

Candidatos deveriam usar os textos de apoio sugeridos na prova

Educação|Karla Dunder, do R7

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Enem: tema da redação segue coerente aos anos anteriores
Enem: tema da redação segue coerente aos anos anteriores

Professores de português de cursinhos ouvidos pelo R7 se surpreenderam com o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) —Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil —, conforme informou o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) neste domingo (5).

No ano em que o Enem inova ao oferecer as vídeo provas em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), o tema da redação aborda a inclusão de pessoas com deficiência auditiva na educação.


"Realmente esse tema foi surpreendente. É interessante observar essa relação entre a vídeo prova e o tema, e esse pode até ser um caminho a ser discutido na própria prova", diz o professor de redalçao do COC, Rodrigo Noronha. 

"A primeira coisa que pensamos é: 'Nossa! Que tema é esse?!' Passado o susto inicial, o tema da redação não difere tanto dos anos anteriores. A questão dos Direitos Humanos continua presente, neste caso o foco é a inclusão de um grupo que possui deficiência auditiva", observa a coordenadora de português do grupo Etapa, Simone Motta.


Simone ressalta que só será possível realmente falar sobre a redação com a prova em mãos. "O Enem costuma disponibilizar textos de apoio que auxiliam com dados e norteiam a redação. Creio que os alunos terão referências aí", diz.

Para o supervisor de português do Anglo, Sérgio Paganim, a leitura desses textos norteia a construção do texto. "Os estudantes devem se agarrar a essa coletânea porque a interpretação de texto também conta ponto. Algo parecido ocorreu quando o tema da redação foi publicidade infantil. Claro que os corretores também vão avaliar o repertório dos alunos, mas esses textos auxiliam", explica.


Embora o tema seja bem específico, os professores concordam que o tema é coerente à linha que o Enem seguiu nas edições anteriores.

"Pelo menos desde 2013 o fio condutor das provas é a questão dos Direitos Humanos. Não apenas na redação, mas também em muitas questões presentes nas provas", diz Paganim. "As vídeo provas seguem essa coerência. O Enem já aplica provas para pessoas privadas de liberdade. O próprio governo tem usado a linguagem de sinais em programas nas TVs públicas", completa.


Questionado sobre a decisão da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, de que as redações que eventualmente ferirem os direitos humanos não poderão receber nota zero, Paganim diz ser difícil isso acontecer.

"Toda a prova valoriza os direitos humanos, acho bastante difícil um candidato que ferir o tema tirar uma nota alta. Não vai tirar zero, mas o tema, por si só, está em sintonia com os direitos humanos", avalia.

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