Caiado aposta em segurança, ajuste fiscal e crescimento para construir plano de governo
Entre os pontos apresentados no documento estão o endurecimento no combate ao crime e metas para educação e saúde
2026|Do R7
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O plano de governo apresentado por Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência da República organiza a candidatura em torno de uma ideia central: recuperar a capacidade de gestão do Estado sem abrir mão da iniciativa privada como principal motor da economia.
Com propostas para 2027 a 2030, o documento reúne 26 temas e estabelece como pilares a segurança pública, o equilíbrio fiscal, o aumento da produtividade, a melhoria dos serviços públicos e a redução da polarização política.
A segurança pública aparece como uma das principais marcas do programa. O plano prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública, a integração de bancos de dados de forças policiais e instituições de Justiça, o reforço do controle de fronteiras e presídios e uma ofensiva contra o patrimônio das organizações criminosas.
Também propõe legislação mais rigorosa contra facções e milícias, redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves e endurecimento das punições para determinados delitos.
A proposta para a segurança é diretamente associada à experiência de Caiado em Goiás. O documento cita a integração das forças policiais, o uso de inteligência e a retomada do controle penitenciário como referências para uma política nacional. A intenção é levar esse modelo para o governo federal, com maior participação da União no combate às facções.
Economia
Na economia, o plano tem forte orientação fiscal. Caiado promete apresentar um diagnóstico amplo das contas públicas, revisar subsídios e benefícios tributários, combater supersalários e limitar o crescimento das despesas obrigatórias. A intenção é estabilizar a dívida, recuperar superávits primários e abrir espaço para o investimento público, sem apostar em aumentos permanentes da carga tributária.
O ajuste fiscal, porém, é apresentado como instrumento para financiar uma agenda de crescimento baseado em investimento e produtividade. O plano estabelece como ambição elevar a taxa de investimento do país, ampliar concessões e parcerias com o setor privado, concluir obras paradas e reduzir custos regulatórios.
A estratégia inclui ainda uma chamada “Estratégia Brasil 2040”, com metas de longo prazo para produtividade e investimento.
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O agronegócio ocupa espaço estratégico. A proposta é produzir mais nas áreas já abertas, recuperar pastagens degradadas, ampliar agricultura de precisão e conectividade rural e transformar o campo em uma plataforma de produção de energia. O plano também prevê um Plano Safra plurianual, mecanismos de garantia e seguro rural mais robustos e maior participação do mercado de capitais no financiamento do setor.
Outra aposta é a reindustrialização, com maior agregação de valor à produção brasileira. O programa pretende aproximar indústria, agronegócio, mineração, energia, ciência e tecnologia, reduzindo a dependência de produtos de baixo valor agregado. A ideia é estimular cadeias produtivas nacionais sem recorrer, segundo o documento, a proteção permanente ou à escolha arbitrária de empresas.
Educação
Na educação, a prioridade é a alfabetização na idade certa e a recuperação da aprendizagem. O plano prevê apoio a estados e municípios, formação de professores, ampliação da educação profissional e maior aproximação entre escolas, universidades e mercado de trabalho.
A proposta estabelece indicadores para acompanhar alfabetização, aprendizagem, abandono escolar e inserção profissional dos estudantes.
Saúde
Na saúde, Caiado afirma que pretende preservar o SUS, mas mudar sua capacidade de entrega. Entre as principais propostas estão a transparência das filas, a regionalização do atendimento, o fortalecimento da atenção primária e o uso de tecnologia para organizar consultas, exames e cirurgias. O plano estabelece como meta reduzir em pelo menos 50% até 2030 o tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior espera.
A proteção social também é tratada com uma lógica de integração. O plano preserva os programas de transferência de renda, mas propõe conectá-los a qualificação profissional, creches, moradia, saúde, educação e trabalho. A prioridade declarada é a infância, com integração de políticas públicas desde a gestação até a entrada dos jovens no mercado de trabalho.
Meio ambiente
Em meio ambiente, o programa tenta combinar preservação e atividade econômica. Caiado propõe rigor contra desmatamento ilegal, grilagem, garimpo e incêndios criminosos, mas também defende instrumentos econômicos para remunerar quem conserva e ampliar atividades como bioeconomia, agricultura de baixo carbono e mercado de carbono.
A ciência, tecnologia e inovação aparecem como instrumentos de transformação econômica. O plano cita inteligência artificial, robótica, semicondutores, computação quântica, tecnologia espacial, 6G e digitalização dos serviços públicos, com a intenção de aproximar universidades, empresas e governo.
Fim da reeleição
Politicamente, uma das propostas mais significativas é o fim da reeleição para cargos do Executivo. Caiado pretende encaminhar uma proposta de emenda à Constituição já no início do mandato, inclusive com aplicação ao presidente eleito em 2026. O argumento é que o fim da possibilidade de reeleição permitiria maior planejamento de longo prazo e reduziria a influência do calendário eleitoral sobre as decisões de governo.
O documento também defende uma reforma do sistema eleitoral, com a adoção do voto distrital misto, além de maior transparência no financiamento político e nas emendas parlamentares. A proposta faz parte da tentativa de Caiado de apresentar uma alternativa à polarização entre os principais campos políticos nacionais.
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