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Da moradia à alimentação: o que os candidatos propõem para a população vulnerável no DF

Planos de governo apostam em diferentes estratégias para ampliar assistência e atender pessoas em situação de rua

2026|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Candidatos ao governo do Distrito Federal propõem estratégias para enfrentar a pobreza e a insegurança alimentar, com foco na população em situação de rua.
  • Propostas incluem ampliação do SUAS, expansão de Restaurantes Comunitários, programas de transferência de renda e iniciativas de inclusão produtiva.
  • Visões distintas sobre atendimento à população de rua: moradia estável, retorno assistido aos estados de origem e tratamento para dependência química são algumas das abordagens.
  • Planos específicos variam entre modernização de serviços sociais, uso de tecnologia para identificar famílias vulneráveis e integração de assistência social com saúde e habitação.

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Candidatos apresentam visões distintas sobre o atendimento à população em situação de rua Montagem: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília - 18.10.2025; José Roberto Arruda/Facebook @arruda.df - 23.08.2026; Leandro Grass/Facebook @leandrograss - 20.05.2026; Ricardo Cappelli/Facebook @oricardocappelli - 7.10.2025; Kiko Caputo/Facebook @CaputoFrancisco - 25.10.2025 e Paula Belmonte/Facebook @paulabelmonteoficial - 14.02.2025

As propostas dos principais candidatos ao governo do Distrito Federal para a área de assistência social combinam diferentes estratégias para enfrentar a pobreza, a insegurança alimentar e a situação de rua.

Entre as medidas, estão a ampliação da rede do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), dos Restaurantes Comunitários e de programas de transferência de renda, além de ações de busca ativa de pessoas vulneráveis e de inclusão produtiva.


Os seis candidatos analisados — Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo) e Paula Belmonte (PSDB) — também apresentam visões distintas sobre o atendimento à população em situação de rua. Enquanto alguns defendem a ampliação da oferta de moradia e o acompanhamento multidisciplinar, outros apostam em retorno assistido aos estados de origem, tratamento para dependência química e parcerias com instituições de acolhimento.

Confira a seguir os planos de cada candidato:


Celina Leão (PP)

A proposta de Celina Leão combina a modernização dos serviços de assistência social com a ampliação de benefícios e ações voltadas à população em situação de rua. Entre as principais iniciativas está a criação da Operação Retorno, uma rede integrada que reuniria abordagem social, vagas em abrigos, emissão de documentos, encaminhamentos para saúde e trabalho e reencontro familiar ou retorno assistido ao município ou estado de origem.

A candidata também propõe um protocolo de internação involuntária humanizada, com aplicação da legislação distrital para pessoas em surto ou dependência química que representem risco imediato para si ou terceiros.


Outra medida é transformar o modelo dos Centros POP na plataforma Na Hora Social, concentrando assistência, acolhimento emergencial e emissão de documentação básica em um mesmo espaço.

Na segurança alimentar, Celina prevê a expansão e modernização dos Restaurantes Comunitários para todas as Regiões Administrativas, além da ampliação do Cartão Prato Cheio, ações de educação nutricional e aumento da compra de produtos da agricultura familiar.


José Roberto Arruda (PSD)

José Roberto Arruda propõe uma política de assistência baseada no uso de tecnologia e dados para identificar famílias vulneráveis e ampliar o acesso aos serviços. A Plataforma Social 360 cruzaria informações do CadÚnico com georreferenciamento para localizar famílias em extrema pobreza que não estejam sendo atendidas pelo Estado. O candidato também prevê reformas físicas e digitais em todas as unidades de Cras (Centro de Referência da Assistência Social) e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).

Para a população em situação de rua crônica, o candidato propõe a adoção da metodologia Habitação em Primeiro Lugar, que oferece moradia estável como ponto de partida para a autonomia. A iniciativa seria acompanhada por atendimento em saúde mental pelos Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e inserção em frentes de trabalho e zeladoria urbana.

Arruda também propõe mudar o local do Centro POP da 902 Sul, devido à proximidade com escolas, além de oferecer passagens para o retorno aos estados de origem e internação de dependentes químicos para recuperação.

Na segurança alimentar, defende o retorno dos programas Pão e Leite e Cesta Verde, além do Selo Prato Cheio Institucional, com repasses a entidades filantrópicas para refeições gratuitas. O DF Mais Social (Perto de Você) reuniria CadÚnico, documentação, vagas do Sine e qualificação profissional em mutirões itinerantes.

Leandro Grass (PT)

Leandro Grass apresenta a assistência social como um direito público estruturante e propõe ampliar a rede do Suas (Sistema Único de Assistência Social). Entre as principais metas está o aumento progressivo do número de Cras, de 32 para 56 unidades, além da expansão dos Creas e da recomposição do quadro de profissionais exclusivamente por concurso público.

O candidato também propõe uma Porta Única para acesso aos benefícios distritais, com um Cadastro Social Único que reuniria programas como Prato Cheio, DF Social, Cartão Creche e outros auxílios. A proposta inclui ainda equipes de Cras Móvel para realizar busca ativa nas periferias e áreas rurais.

Na segurança alimentar, Grass defende a ampliação dos Restaurantes Comunitários com refeições a R$ 1, além da criação de cozinhas solidárias, hortas urbanas em desertos alimentares e sacolões populares.

Grass também propõe uma plataforma digital para conectar sobras de feiras e da Ceasa aos bancos de alimentos. Para a população em situação de rua, prevê mutirões de abordagem humanizada e a ampliação dos Centros POP para além do Plano Piloto e de Taguatinga. O plano também prevê atendimento veterinário e guarda temporária para animais de estimação de pessoas em situação de rua durante períodos de tratamento ou internação dos tutores.

Paula Belmonte (PSDB)

Paula Belmonte organiza suas propostas a partir do princípio de “cuidar das pessoas”, com uma política integrada para a população em situação de rua. A candidata propõe articular assistência social, saúde mental, tratamento para dependência química, habitação temporária, qualificação profissional e segurança pública para atender os diferentes aspectos da vulnerabilidade.

O plano também prevê busca ativa de idosos e casos médicos, especialmente de pessoas com Alzheimer ou transtornos psíquicos que estejam desorientadas nas ruas. A iniciativa envolveria a integração entre conselhos tutelares, saúde e assistência social.

Outra proposta é descentralizar as casas de acolhimento, com a criação de unidades temporárias e centros distribuídos de forma equilibrada pelo Distrito Federal, evitando a concentração de equipamentos em regiões já vulneráveis, como a Estrutural. Belmonte também defende parcerias com instituições filantrópicas e organizações da sociedade civil que atuam no acolhimento e na reinserção de pessoas vulneráveis.

Na prevenção, a candidata propõe aproximar educação, saúde e assistência social para identificar defasagens e apoiar famílias em extrema vulnerabilidade. A proposta inclui ainda garantir alimentação escolar com refeitórios em 100% das escolas públicas.

Ricardo Cappelli (PSB)

Ricardo Cappelli concentra suas propostas na integração entre assistência social, segurança alimentar e políticas destinadas a enfrentar as causas que levam as pessoas à situação de rua. O programa DF Sem Fome prevê o fortalecimento de Cras e Creas e a articulação entre Restaurantes Comunitários, cozinhas solidárias, bancos de alimentos e compras da agricultura familiar para atender famílias em situação de insegurança alimentar grave.

Para a população em situação de rua, o candidato critica a chamada lógica de “comida e banho” nos Centros POP, por considerar que a oferta desses serviços, isoladamente, não resolve a situação de vulnerabilidade. A proposta é formar equipes multidisciplinares, com psicólogos, médicos e assistentes sociais, para identificar as causas de cada caso, como problemas de saúde mental, rompimentos familiares ou perda de moradia.

A partir desse diagnóstico, a política buscaria encaminhar as pessoas para soluções como moradia, Caps, tratamento contra drogas e trabalho. Cappelli também propõe criar portas de saída econômicas, conectando famílias vulneráveis e pessoas em processo de saída da rua a programas de qualificação profissional, cooperativismo, economia solidária e microcrédito produtivo por meio do Banco do Povo.

Kiko Caputo (Novo)

Kiko Caputo reúne suas propostas no programa Rede de Cuidado e Autonomia (DF Cuida), com foco na integração dos serviços e na simplificação do acesso à assistência. A proposta prevê a integração operacional entre Cras e Creas para evitar que famílias vulneráveis precisem procurar diferentes serviços, além da descentralização do CadÚnico e do reforço da busca ativa nas Regiões Administrativas com menor cobertura.

Para a população em situação de rua, o candidato propõe um sistema digital integrado para identificar, encaminhar e acompanhar essas pessoas, conectando assistência social, saúde mental, habitação, segurança e trabalho. Também defende parcerias com o terceiro setor, com remuneração por meio de uma “diária justa” para casas de acolhimento e instituições privadas que atendam pessoas em situação de vulnerabilidade e dependência química.

O plano inclui ainda um canal direto para comunicação de emergências ou riscos envolvendo pessoas em situação de rua e o custeio de retorno assistido e voluntário ao estado natal. O Programa Reingresso teria trilhas de qualificação e intermediação de mão de obra para pessoas que estejam superando a situação de rua e egressos do sistema prisional. Na segurança alimentar, Caputo propõe expandir e reorganizar territorialmente Restaurantes Comunitários, Bancos de Alimentos e o Cartão Prato Cheio.

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