De onde vem a tradição da troca de faixa presidencial?
O endereço foi encomendado durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca, em 1910
2026|Do R7
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Símbolo máximo da transmissão do poder no Brasil, a faixa presidencial é usada pelo presidente da República em momentos solenes, principalmente na posse e em cerimônias oficiais. A tradição começou durante o governo de Hermes da Fonseca, o oitavo presidente da República. Sua origem está ligada ao início do século 20 e à necessidade de criar símbolos que representassem a autoridade do chefe do Executivo.
Instituída por decreto em 1910, a inspiração veio de modelos utilizados em outros países, especialmente na Europa e em repúblicas latino-americanas, onde faixas e insígnias já eram usadas para identificar autoridades durante cerimônias de Estado.
A primeira versão da faixa era verde-amarela, acompanhando a identidade nacional estabelecida desde o Império e incorporada pela República.
O acessório passou a ser utilizado durante a cerimônia de posse e em ocasiões consideradas de grande importância institucional.
Ao longo do tempo, o modelo sofreu alterações, mas preservou a combinação de cores e a função de representar a autoridade presidencial.
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Mais do que um acessório, a faixa passou a simbolizar a própria transferência do poder presidencial. Durante a posse, a entrega do objeto ao novo presidente representa a passagem formal do comando do Poder Executivo.
A tradição ganhou força justamente porque permite que uma mudança de governo seja visualmente representada por um objeto que passa de um presidente para outro.
Apesar de não existir um registro oficial de quantas vezes a faixa foi trocada durante a história, sabe-se que ela é constantemente restaurada. O Palácio do Planalto guarda a sete chaves duas versões da indumentária.
Somente a peça usada por Juscelino Kubitschek é acessível ao público; está em exposição no Memorial JK, localizado na região do Plano Piloto, em Brasília.
Faixa tem seda, ouro e diamante
A faixa presidencial é feita de seda, com detalhes bordados em ouro e diamantes, e as franjas da sua ponta são feitas com correntes. No centro, à altura do peito, estão bordadas as Armas da República. Sob uma roda de tecido colocada por cima do encontro das duas pontas da faixa, há ainda uma medalha da República, em ouro, anexada a um broche, também de ouro, com detalhes em diamantes.
Foi o presidente Lula quem mandou fazer a atual faixa presidencial em novembro de 2003, durante seu primeiro mandato. O distintivo foi comprado a R$ 55 mil após um conturbado processo de licitação iniciado em janeiro de 2006 — e retomado no fim de 2007.
Com os valores corrigidos pela inflação e pela variação da cotação do ouro e do diamante, estima-se que hoje a faixa custaria cerca de R$ 200 mil.
Outra confecção especial de faixa presidencial aconteceu quando José Sarney encomendou uma versão especial para sepultar o presidente Tancredo Neves, em 24 de abril de 1985.
Quando a faixa é utilizada
Para além da posse, a faixa estampa o peito do presidente da República em situações específicas e previstas no protocolo oficial.
O mandatário máximo do Executivo pode surgir com o acessório em cerimônias de Estado, recepções de autoridades estrangeiras e durante eventos oficiais, especialmente aqueles que pedem maior formalidade.
Por isso, a faixa tornou-se uma das imagens mais reconhecidas associadas à Presidência da República e à representação institucional do país.
Ao longo da história, porém, houve momentos em que a tradição foi interrompida ou adaptada. Jair Bolsonaro, por exemplo, não participou da cerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2023 e, por isso, não entregou pessoalmente a faixa ao sucessor.
A passagem simbólica acabou sendo feita por representantes da sociedade civil que acompanharam Lula até o Palácio do Planalto, onde o presidente recebeu o objeto.
Em 1985, João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, também se recusou a transmitir a faixa para o mandatário seguinte, no caso, José Sarney, que assumiu após a morte de Tancredo Neves.
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