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Diretora de ‘Se Eu Fosse Você 3’, Anita Barbosa defende mulheres no cinema: ‘Somos muito boas’

Assistente de direção dos dois primeiros filmes, cineasta assume comando da franquia 20 anos após o primeiro longa

Entrevista|Maria Cunha, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Anita Barbosa assume a direção de "Se Eu Fosse Você 3", após ter sido assistente nos dois primeiros filmes da franquia.
  • A diretora destaca a importância de manter a essência dos filmes anteriores, enquanto atualiza a narrativa para o público atual.
  • Anita defende a presença feminina no cinema e trabalha com equipes cada vez mais formadas por mulheres.
  • A cineasta deseja explorar diversos gêneros no audiovisual, valorizando a diversidade e qualidade dos projetos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Anita Barbosa é diretora de 'Se Eu Fosse Você 3' Divulgação

“Eu quero traçar uma estrada com várias ramificações. Eu não me sinto uma diretora de um gênero só.” É assim que Anita Barbosa define o caminho que pretende seguir no audiovisual.

Após passar por diferentes funções e trabalhar com gêneros como comédia, romance e suspense, ela agora encara um dos projetos mais importantes de sua carreira: Se Eu Fosse Você 3, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (8).

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Em entrevista ao R7, a diretora falou sobre a nova missão, que tem um gosto especial. Anita foi assistente de direção dos dois primeiros filmes da franquia, dirigidos por Daniel Filho, e acompanhou de perto a construção da história de Cláudio e Helena, personagens novamente interpretados por Tony Ramos e Glória Pires.

“Foi muito difícil. Deu frio na barriga, o que é bom, porque quando a gente perde isso, a gente perde tudo. Foi uma aventura maravilhosa”

(Anita Barbosa)

O desafio, segundo ela, veio acompanhado de uma responsabilidade enorme: preservar a essência dos filmes anteriores sem deixar de atualizar a narrativa para o público de 2026.

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“Eu tenho muito respeito pela história desses filmes. Eles são maravilhosos. Aquele elenco é fantástico, a direção do Daniel [Filho] é muito delicada, inteligente e divertida, e eu procurei seguir isso, mantendo o mesmo caminho que tinha sido traçado”

Ao mesmo tempo, houve uma preocupação especial em discutir quais temas ainda funcionariam em uma comédia 20 anos depois, diante das mudanças pelas quais a sociedade passou nesse período.

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Entre essas transformações, está também a presença das mulheres no audiovisual, uma pauta que Anita defende a partir da própria experiência.

“Eu tenho trabalhado com equipes cada vez mais formadas por mulheres, e nós somos muito boas. Não é uma luta contra o sexo masculino, mas pelos direitos de ocupar um lugar mais igualitário dentro desse mercado, porque nós somos capazes”

(Anita Barbosa)

Veja a entrevista com Anita Barbosa:

R7: Em que momento você percebeu que o audiovisual poderia virar sua profissão?

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Anita Barbosa: Eu sempre trabalhei com audiovisual. Meu primeiro emprego foi no audiovisual, porque eu trabalhava no Festival do Rio, que, na época, tinha outro nome. Então, eu já tinha esse contato com o audiovisual de uma forma integral, em diversos processos.

No início, não era fazer o filme, era trabalhar esse filme de outras formas, em mostras competitivas e não competitivas. E depois, em um determinado momento, eu recebi um convite de um diretor para fazer parte da equipe de um filme, que era enorme. E aí eu me apaixonei por aquilo.

R7: Depois de tantos anos vendo os diretores trabalhando, tem algum comportamento que você pensou: “Isso eu nunca repetiria”?

Anita Barbosa: Vários. Existem coisas na nossa vida, tanto no pessoal quanto no profissional, que a gente não quer repetir. Acho que estamos aqui para aprender e tentar não repetir determinados erros.

Eu venho de uma outra geração, em que o trabalho no audiovisual era muito menos regulamentado em relação às cargas horárias. Hoje, estamos em um processo de trabalho de 5x2, que já é muito mais humano. Quando comecei meu primeiro filme, eram oito semanas, quatro de noturna e uma folga só na semana

(Anita Barbosa)

Mas também gosto de pensar nas coisas boas e no que aprendi com todo mundo. Fui muito agraciada com diretores maravilhosos. Com Daniel Filho, aprendi o que é dirigir um ator. Ele é 100% dedicado ao elenco, e acho que desenvolvi esse gosto e esse amor pela direção de elenco muito através dele. Tive contato com pessoas que me fizeram muito bem e me ajudaram a crescer.

Anita Barbosa foi assistente de direção dos dois primeiros filmes da franquia 'Se Eu Fosse Você' Divulgação/Eny Miranda

R7: E como foi receber o convite para dirigir Se Eu Fosse Você 3, depois de ter sido assistente de direção dos dois primeiros?

Anita Barbosa: Deu frio na barriga, o que é bom, porque acho que, quando a gente perde isso, a gente perde tudo. Foi uma aventura maravilhosa.

Como fui assistente de direção dos dois outros filmes, me senti confortável em estar ali, porque vi de perto essa história sendo construída. Então, pude pegar todas as referências e seguir aquele mesmo caminho, porque o filme segue a mesma métrica dos outros. É uma franquia que se mantém fiel.

R7: Você chegou a rever os outros dois filmes antes de começar a preparação do terceiro?

Anita Barbosa: A todo tempo. Primeiro, porque é um prazer assistir àqueles filmes. E também porque eu tinha dúvidas e queria me inspirar. A gente sempre se inspira em outras coisas, e eu tinha aquele material ali para me inspirar. Foi maravilhoso.

R7: Você sentiu uma responsabilidade maior por estar mexendo em uma história que já é muito amada pelo público e que teve outra direção?

Anita Barbosa: [Senti] Respeito. Eu tenho muito respeito pela história desses filmes, porque eles são maravilhosos. Aquele elenco é fantástico, a direção do Daniel é muito delicada, inteligente e divertida, e eu procurei seguir isso, mantendo o mesmo caminho que já tinha sido traçado.

R7: A gente está vivendo uma era de remakes, reboots e continuações. Você acha que ainda tem espaço para isso? Poderia existir um Se Eu Fosse Você 4?

Anita Barbosa: Claro. Eu fiquei muito impressionada, porque, quando a gente falava em fazer Se Eu Fosse Você 3, não existiam tantas franquias distanciadas pelo tempo. A gente tinha um filme um, dois, três, quatro, tudo seguidinho ali. Quando pensamos em fazer Se Eu Fosse Você 3, eu até pensei: “Gente, mas 20 anos depois?”. E aí, depois que anunciamos, veio esse boom de muitos filmes 20 anos depois.

Então, eu acho que tem muito espaço para isso. Se uma história caiu no gosto das pessoas e tocou o coração, por que não retomar essa história e construir uma nova era, voltar ao passado, ir para o futuro? Eu sou totalmente a favor de ter um quarto filme.

Glória Pires e Tony Ramos reprisam os papéis de Helena e Cláudio em novo filme Divulgação/Eny Miranda

R7: Você trabalha com um elenco de atores veteranos, como Tony Ramos e Glória Pires, e também com artistas mais jovens. Como funciona a sua direção nesse sentido?

Anita Barbosa: Um ator, mais jovem ou veterano, precisa de direção. No caso do Tony e da Glória, como eles estão vivendo os mesmos papéis, de Cláudio e Helena, pela terceira vez, eles têm aquela memória da experiência vivida. Nas primeiras leituras, quando ouvi os dois, falei: “Gente, Cláudio e Helena estão de volta”.

R7: O humor mudou muito entre 2006 e 2026. Como construir uma comédia para o público de hoje sem perder a essência da franquia?

Anita Barbosa: O roteirista Leandro Soares trabalhou comigo durante muito tempo, acho que um ano, na construção dessa história. A gente sempre se preocupou muito com o que seria legal falar ou não hoje, porque determinados temas não têm mais importância, ficaram bobos ou agressivos, não sei.

A gente quis trazer a comédia e essa discussão da troca de corpos, de estar no lugar do outro, mais para a atualidade. Eu acho que conseguimos perfeitamente. Acho que fomos muito bem nessa missão

(Anita Barbosa)

R7: Qual é a parte mais difícil de ser diretora que o público jamais imagina?

Anita Barbosa: O mais difícil na direção é pegar aquele texto escrito, aquelas palavras, aquela história, e conseguir passar aquilo para a sua equipe, materializar um pensamento. Eu acho que é isso: conseguir materializar uma ideia.

Você tem que conseguir explicar como imaginou aquilo, amarrar toda aquela história, toda aquela linguagem, ter um rumo. Isso é muito difícil, mas é a parte mais gostosa também. Semana passada, eu estava filmando uma cena e falei: “Gente, ficou igualzinho. Eu imaginei igualzinho”.

Para mim, a coisa mais difícil da direção é isso.

R7: Você chega a um dos maiores filmes da sua carreira, com atores muito queridos pelo público, em um momento que ainda não há tantas mulheres dirigindo. Você sente que essa mudança está acontecendo no mercado?

Anita Barbosa: A gente luta para isso. Eu tenho trabalhado com equipes cada vez mais formadas por mulheres, e nós somos muito boas. Não é uma luta contra o sexo masculino, é uma luta pelos direitos de ocupar um lugar mais igualitário dentro desse mercado, porque nós somos capazes.

Anita Barbosa falou sobre o desafio de dirigir 'Se Eu Fosse Você 3' Divulgação/Eny Miranda

R7: Você também está dirigindo Sombras, um thriller. O que podemos esperar desse filme?

Anita Barbosa: Sombras é um thriller psicológico. Não é aquele suspense de dar medo, é aquela coisa que vai te levando, com a Vanessa Giacomo e o Renato Gianecchini. A gente acabou de filmar, ainda não tem nada montado, mas podemos esperar grandes atuações, um elenco maravilhoso, uma história maravilhosa e muito surpreendente. Podemos esperar um plot twist. Você nunca vai adivinhar esse final antes de terminar de ver o filme.

R7: Depois de trabalhar com comédias românticas, comédias e um thriller, existe algum outro gênero em que você tenha vontade de se aventurar?

Anita Barbosa: Eu quero traçar uma estrada com várias ramificações. Eu não me sinto uma diretora de um gênero só. O que me faz ser feliz é a diversidade. Então, quero ir para todos os caminhos que tenham projetos de qualidade, bons textos, bons elencos e boa possibilidade de realização.

Eu amo drama, thriller, comédia e sou a rainha do romance. Eu amo romance, amor com aquele beijinho no final. Acho muito fofo. No próprio Se Eu Fosse Você 3, a gente coloca uma pitada de romance, porque, afinal de contas, é uma comédia romântica, assim como os outros.

Então, se é para ter um gênero específico, eu ainda não descobri qual é.

R7: O que você diria para a Anita que estava começando e agora está aqui dando entrevistas sobre o próprio trabalho? Que mensagem deixaria para ela e para as meninas que querem ser diretoras e trabalhar com audiovisual?

Anita Barbosa: Eu diria para mim mesma: continue fazendo como você fez, não pule etapas, adquira todo conhecimento possível, porque eu acho que o nosso poder hoje é o nosso conhecimento. E esteja aberta a aprender, porque conseguir absorver o conhecimento de outras pessoas também é uma forma de poder.

E eu diria para as meninas que estão começando: adquiram experiência, porque com experiência vocês têm poder.

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