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Priscilla fala sobre novo álbum e fase independente: ‘Assustador é não se ver dono do que é seu’

Após 20 anos de carreira, cantora reflete sobre liberdade artística, relação com o público e os caminhos que ainda deseja explorar

Entrevista|Maria Cunha, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Priscilla Alcântara, agora conhecida apenas como Priscilla, celebra 20 anos de carreira com independência artística e um novo álbum chamado ECO.
  • A cantora destaca a importância de ter autonomia sobre suas criações e reflete sobre a liberdade de não precisar agradar a todos.
  • Priscilla lançou o projeto ECOS INDEPENDENTES para apoiar artistas independentes, promovendo uma visão mais colaborativa da indústria musical.
  • Ela busca distanciar sua vida pessoal da profissional, preservando sua saúde e longevidade na carreira, e expressa interesse em explorar novas áreas como atuação em séries e cinema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Priscilla celebra duas décadas de carreira com novo álbum independente Reprodução/Instagram/@_apriscilla_

Aos 8 anos, Priscilla Alcântara começou a construir uma carreira diante das câmeras. Hoje, aos 29, ela assina apenas Priscilla e, após passar pela televisão, música e teatro musical, parece ter aprendido uma das lições mais difíceis para quem cresceu sob os holofotes: não é preciso agradar todo mundo.

Depois de duas décadas de carreira, a cantora decidiu assumir integralmente as próprias escolhas profissionais e seguir de forma independente. A mudança, segundo ela, trouxe uma sensação de liberdade que não existia quando era preciso dividir o controle sobre os rumos de sua arte.

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Em entrevista ao R7, Priscilla falou sobre a construção dessa nova fase, o processo de criação de ECO, seu novo álbum de estúdio, a relação com os fãs e os limites entre vida pessoal e profissional.

“É muito gostoso ver que, depois de 20 anos de carreira experimentando diversos lugares do show business, eu ainda me encontro nesse lugar de que eu faço o que eu quero, do jeito que eu quero”, afirma.

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Para a cantora, ter autonomia sobre aquilo que produz não é motivo de preocupação. O que realmente incomoda é justamente o contrário: quando o artista deixa de se reconhecer na própria obra e passa a não ter mais domínio sobre aquilo que criou.

“Assustador é quando você não se vê mais dono daquilo que é seu. Quando você passa a ser propriedade de alguém, outra coisa”

(Priscilla)

É desse momento de liberdade que nasce ECO, lançado no último mês. O trabalho começou a ser construído há cerca de três anos, em sessões com o produtor Laudz, seu marido. Aos poucos, as músicas deixaram de ser experiências isoladas e passaram a formar um projeto que traduz a fase atual da cantora.

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“Acho que esse ECO talvez seja carregado dessa mensagem de alguém muito apaixonada pela música, que acredita realmente que esse amor realmente pode ser o que revoluciona a indústria.”

Essa mudança de perspectiva também chegou à relação com o público. Priscilla começou a vida profissional ainda criança e precisou aprender a conviver com a curiosidade em torno de sua intimidade. Hoje, prefere estabelecer limites mais claros.

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“Eu fui mais pra esse lado de tentar distanciar a minha vida pessoal da minha vida profissional”, conta. A decisão, diz, tem menos a ver com se afastar dos fãs e mais com se preservar.

“Eu gosto muito de me sentir próxima dos meus fãs. Mas também existe uma camada mais profunda que exige de mim decisões que me garantem longevidade e saúde nesse meio que eu estou.”

(Priscilla)

A menina de 8 anos que começou tão cedo a lidar com opiniões e expectativas também ganhou uma resposta da própria versão adulta. Se pudesse voltar no tempo, ela não falaria sobre sucesso, números ou reconhecimento. “Você não tem que provar nada para ninguém”, resume.

Priscilla vive uma nova fase na carreira, marcada por mais liberdade artística Reprodução/Instagram/@_apriscilla_

Veja a entrevista com Priscilla na íntegra:

R7 — Você falou que o ECO nasceu de uma maneira muito orgânica. Quando percebeu que aquelas músicas estavam, de fato, formando um álbum?

Priscilla — Eu comecei a fazer algumas sessões de estúdio com o Laudz, que é produtor. E a gente fez uma sequência de músicas que faziam muito sentido para o que eu queria como um próximo álbum.

E aí, simplesmente, caiu a ficha: “Eu preciso começar a ser intencional, porque daqui pode sair algo que eu realmente quero lançar”. E foi o que aconteceu.

A gente já tinha feito [as músicas] Não Testa, Nosso Lugar, Doce com Amargo, antes de bater o martelo de que eu queria fazer um álbum e encontrar um repertório coeso.

Começamos a trabalhar à procura de um repertório que tivesse essa premissa de valorizar a minha voz nas melodias, nas notas, nos arranjos. Foi um processo longo, de três anos, mas a gente acabou criando tudo o que eu queria para um álbum.

R7 — Qual música do ECO foi mais desafiadora vocalmente para você?

Priscilla — Tem algumas músicas. Eu sempre falava para os meus fãs: “Eu só gravo o que eu consigo fazer ao vivo”. Estou me contradizendo, porque gravei coisas que eu não sei se eu consigo fazer ao vivo. Me desafiei muito, coloquei a régua lá em cima nesse álbum, e tem músicas que ainda são assustadoras para mim.

Obsessão é uma delas, uma dinâmica muito difícil, notas muito altas. Então, estou tendo que ensaiar ainda para cantar as minhas próprias músicas.

Priscilla assume o controle da própria produção no álbum 'ECO' Reprodução/Instagram/@_apriscilla_

R7 — O nome ECO tem relação com a ideia de fazer sua voz chegar a lugares e pessoas novas. O que você gostaria que esse álbum despertasse em quem for ouvir?

Priscilla — Eu quero que esse ECO seja a minha paixão pela música. Eu acho que é muito profundo o fato de eu ter sido escolhida para receber esse dom da música, que eu reconheço que é muito maior do que a minha própria existência. Então, eu estou a serviço desse dom. E a minha paixão é o que me faz seguir em direção a isso.

Eu quero muito que as pessoas recebam e vejam como pode ser revolucionário na nossa vida a gente valorizar aquilo que a gente recebeu, os nossos dons, todas as nossas habilidades, possibilidades. Então, acho que esse ECO talvez seja carregado dessa mensagem, de alguém muito apaixonada pela música, que acredita realmente que esse amor pode ser o que revoluciona a indústria.

R7 — Depois de 20 anos de carreira, o que significa para você ser 100% responsável pelas decisões da sua carreira? É libertador, assustador ou um pouco dos dois?

Priscilla — É maravilhoso. Eu acho que assustador é o contrário. Assustador é quando você não se vê mais dono daquilo que é seu. Quando você passa a ser propriedade de alguém, outra coisa, que não é definitivamente onde eu me encontro.

“Toda vez que eu me vejo entrando nesse lugar na minha vida, de que eu estou me perdendo, perdendo o controle do que é meu, eu saio e vou me reencontrar em outro lugar com mais liberdade”

(Priscilla)

E é muito gostoso ver que, depois de 20 anos de carreira, experimentando diversos lugares do show business, eu ainda me encontro nesse lugar de que eu faço o que eu quero, do jeito que eu quero. É uma honra e uma alegria ter chegado a 20 anos de carreira ainda sendo 100% autônoma no meu trabalho.

R7 — Você começou muito nova na televisão e sempre lidou com a exposição. Existe algo que você fazia para agradar o mercado, ou os fãs, e que hoje você percebe que não precisa mais fazer?

Priscilla — Talvez a coisa de blindar e proteger a minha vida pessoal, que às vezes as pessoas gostam até de atrelar à sua arte, porque a gente sabe como a forma de consumo funciona hoje: uma música acompanhada de uma fofoquinha vai dar uma ajudada, uma força. É um recurso e está tudo bem.

Mas eu fui mais para esse lado de tentar distanciar a minha vida pessoal da minha vida profissional. Antes, eu tinha muito costume de mostrar mais esse meu dia a dia. É claro que o fã gosta de ver para se sentir próximo, e eu gosto muito de me sentir próxima dos meus fãs. Mas também existe uma camada mais profunda que exige de mim decisões que me garantem longevidade e saúde nesse meio que eu estou.

R7 — Essa independência também te permitiu olhar para outros artistas que estão começando ou ainda não foram descobertos. Em que momento você percebeu que queria usar a sua plataforma para abrir espaço para essas outras vozes e criar o ECOS INDEPENDENTES?

Priscilla — O ECO me levou para um lugar muito complexo da minha maneira de enxergar a arte. E uma dessas coisas foi o tanto que eu faço música para satisfazer o meu ego ou para cumprir o meu propósito.

Eu fiquei refletindo muito sobre isso. E a minha forma de externalizar e materializar essa ideia foi justamente escolhendo que o pré-marketing do meu álbum fosse fazer marketing para álbuns de outros artistas.

“Eu aproveitei a questão de me tornar uma artista independente e falei: ‘Cara, eu vou fazer algo pela cena, vou fazer algo por outros artistas’. Porque, na minha trajetória, a minha vida foi muito impactada por outros artistas que deram a mão para mim. Então eu quero fazer o mesmo”

(Priscilla)

R7 — O que você gostaria de ter encontrado quando estava começando e que hoje pode oferecer a esses artistas por meio do ECOS INDEPENDENTES?

Priscilla — Eu tenho a bênção de poder dizer que eu sempre tive muitas oportunidades boas que eu aprendi a agarrar na hora.

Eu comecei na televisão porque o Celso Portiolli me viu, achou que eu levava jeito. Se não fosse pela visão desse artista, ao enxergar a artista que eu era, eu não seria a artista que eu sou hoje.

Então eu acho que é cultivar essa verdade dentro da gente: o artista tem que enxergar o outro artista. E isso altera a maneira como a gente produz arte, sempre pensando que é mais coletivo do que individual.

R7 — Você tem vivido uma fase interessante também nos musicais. O que esses trabalhos te ensinaram como intérprete, e que acabou chegando à sua música?

Priscilla — Eu aprendi que tenho que ser mais versátil ainda. Tenho mais espaço para isso. Versatilidade ao ponto de eu conseguir ser outra pessoa, literalmente um outro jeito de cantar, algo que pertença só ao personagem, não necessariamente a mim.

Foi um novo jeito de conhecer o palco, porque eu o conhecia sendo intérprete da minha própria música, da minha própria pessoa. No teatro não é assim, muito pelo contrário.

Priscilla interpretou a boneca Susi em musical Divulgação/Abílio Gil e Márcio Ribas

R7 — Você já passou pela televisão, música e teatro. Existe algum caminho que ainda gostaria de explorar na carreira?

Priscilla — Eu tenho estudado bastante a atuação, um foco que eu coloquei também a partir desse ano, muito inspirada pelo meu início no teatro musical. E eu tenho muita vontade de começar a fazer série e cinema. Sou muito apaixonada.

Decidi que quero estudar para poder desenvolver mais técnica e estou esperando oportunidades que façam sentido para aquilo que eu quero nessa área.

R7 — Se pudesse dar um conselho para a Priscilla de 8 anos, o que você diria?

Priscilla — Eu acho que o clichê de que você não tem que provar nada para ninguém é muito importante. Crescendo nos holofotes, é muito fácil cair nessa cilada de sempre ter que se provar, porque as pessoas sempre vão estar vendo e tendo uma opinião, então você tem que estar sempre se policiando, atendendo a todas as demandas.

E também de ter paciência. Eu acho que a vida exige paciência em todas as áreas, em todos os sentidos, para que as coisas aconteçam na hora certa. É o segredo de você viver a sua vida em plenitude, e isso é uma coisa que eu aprendo constantemente.

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