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Roberto Guastelli revela bastidores do podcast ‘Casos Reais’ e exalta parceria com Eleandro Passaia: ‘Uma honra’

Em entrevista ao R7, o jornalista falou sobre simplificar temas jurídicos para os telespectadores e relembrou a investigação sobre Vitória Gabrielly

Entrevista|Allef Fonseca e Gustavo Guerrero*, do R7

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Roberto Guastelli fala sobre carreira e bastidores do novo desafio 'Casos Reais' Antonio Chahestian/RECORD

Com 30 anos de experiência como operador do direito, o advogado criminalista Roberto Guastelli, comentarista do Balanço Geral Manhã ao lado de Dudu Camargo, construiu uma trajetória marcada pela atuação em processos criminais, pelo apoio a famílias de vítimas e pela participação em coberturas jornalísticas. Há dois anos e meio na RECORD, ele também ganhou espaço como comentarista, contribuindo com análises jurídicas em casos de grande repercussão.

Agora, Guastelli assume um novo desafio ao lado do jornalista e apresentador do Balanço Geral, Eleandro Passaia, no podcast Casos Reais, que estreia no R7, no RecordPlus e em outras plataformas digitais nesta quinta (29). A proposta é revisitar crimes que marcaram o Brasil, discutir possíveis falhas em investigações e julgamentos, e explicar os aspectos jurídicos por trás das decisões da Justiça.

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Sem se limitar a questões técnicas, o novo projeto abre espaço para discutir os impactos das decisões judiciais e a importância de identificar falhas para evitar que situações semelhantes se repitam. Para Guastelli, a experiência acumulada ao longo de três décadas de profissão ajuda a equilibrar a emoção provocada por histórias delicadas com a análise racional dos fatos.

Em entrevista ao R7, o advogado fala sobre a criação do podcast, relembra casos que marcaram sua trajetória, explica como começou a trabalhar na televisão e destaca a importância de tornar o conhecimento jurídico acessível ao público. Ele também comenta a parceria com os colegas e compartilha uma história que o emocionou durante o Cidade Alerta.

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Veja, a seguir, a entrevista na íntegra:

R7 - Qual é a proposta do podcast Casos Reais?

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Roberto Guastelli - No podcast, nós tratamos de casos que já foram julgados pela Justiça para demonstrar aos telespectadores as falhas naquele processo e o que pode ser melhorado para evitar algumas decisões que consideramos injustas.

R7 - Como surgiu a ideia do projeto e como será a dinâmica com o Eleandro Passaia na bancada?

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Roberto Guastelli - A ideia do podcast foi do Passaia. Ele veio com esse projeto, me convidou e eu aceitei. Foi uma honra poder participar e dividir essa bancada. Eu comecei no Balanço Geral Manhã, também com ele, e já tinha dividido algumas vezes o Balanço Geral da Tarde. O Passaia gostou, assim como eu, desses casos reais que trazem polêmicas, como o que faltou ou falhou no julgamento. Como comentarista no programa, não dá para esgotar todos os temas, e eu acho que o podcast traz essa oportunidade de, em cada episódio, trabalharmos um caso diferente.

No podcast, o Passaia vai ser o entrevistador, e eu vou estar ao lado dele analisando juridicamente. Além de apresentador, sou advogado e já fui professor universitário, então tenho essa experiência como operador do direito.

“A cada episódio, também trazemos um convidado que tenha participado daquele caso, seja um promotor ou um advogado”

(Roberto Guastelli)

R7 - Como vocês selecionam os casos discutidos no podcast?

Roberto Guastelli - Os casos foram surgindo assim: nós discutíamos, e cada um trazia um caso. Aí chegamos a um consenso e escolhemos os mais relevantes, que têm aspectos importantes possíveis de explorar mais na parte jurídica.

R7 - Quais casos serviram de inspiração para a criação do podcast?

Roberto Guastelli - O caso Lázaro foi um dos casos emblemáticos de Goiás. Teve também o caso do crime da Rua Cuba, que nós ficamos discutindo depois do programa por ser bem similar a um caso que estava passando aqui no programa. São casos em que vemos que não foi feita a devida justiça ou que a Justiça falhou. Por isso, nós os trouxemos para debater no podcast.

R7 - De que forma o Casos Reais pode ajudar a população?

Roberto Guastelli - Eu entendo que as pessoas, a partir da dinâmica dos episódios, podem entender melhor essas questões, e nós podemos alertar a população sobre as falhas nos processos, que começam já na investigação, para evitar que casos assim se repitam. Então, o programa serve como um alerta para o operador do direito, seja um colega advogado, delegado, promotor ou juiz.

Guastelli e Passaia no comando do podcast Casos Reais Divulgação/RECORD

R7 - Você começou na advocacia em 1996 e passou mais de 20 anos longe dos holofotes. Quando você percebeu que sua missão também era se comunicar às pessoas pela TV?

Roberto Guastelli - O primeiro caso que tive na televisão foi em 2014. Fui chamado por uma família vítima de violência durante o Carnaval daquele ano. A família não tinha acesso à delegacia ou ao delegado e me pediu apoio. Quando ajudei essa família, não esperava que a imprensa também começasse a cobrar uma posição das autoridades policiais.

Esse caso foi em Porto Feliz, no estado de São Paulo. Eu conhecia um dos familiares de um diretor de uma rede de televisão, que era meu cliente, e me pediram essa ajuda. Concedi uma entrevista, e isso foi crescendo.

“Foram surgindo outros casos em que atuei como assistente de acusação, ajudando famílias em diversos crimes, e com isso fui ganhando notoriedade e me apaixonando por esse lado de comentar e poder ajudar”

(Roberto Guastelli)

R7 - Como avalia a possibilidade de contribuir com investigações por meio dos comentários feitos na televisão?

Roberto Guastelli - Faz dois anos e meio que estou na RECORD. Há alguns casos que comento e, depois, recebo nas minhas redes sociais agradecimentos de pessoas e vítimas porque dei uma ideia para a investigação. As autoridades ouviram e receberam essa ideia, que, naquele momento da investigação, ainda não havia sido considerada. Quando uma pessoa de fora, com embasamento jurídico, faz uma observação, isso acaba dando luz à investigação e ajuda a desvendar o crime, seja colocando como suspeita uma pessoa que não estava na mira da polícia, seja fazendo apontamentos necessários. Acho que esse é um papel importante que tenho, não só como advogado, mas também como comentarista, para ajudar as pessoas.

R7 - O caso do desaparecimento e morte da Vitória Gabrielly foi muito importante na sua trajetória. Como foi sua participação nessa história?

Roberto Guastelli - O caso da Vitória Gabrielly foi emblemático porque, na época em que a menina desapareceu, alguns dias depois eu estava tomando café da manhã e vi o caso na televisão. Aquilo me chocou porque era uma criança, e isso mexeu comigo porque tenho uma filha que, na época, tinha a mesma idade da Vitória. Logo depois, durante o dia, recebi uma ligação de uma pessoa pedindo que eu ajudasse a família dela, e isso me permitiu entrar no caso e poder ajudar.

“Eu consegui contribuir para trazer uma luz ao caso [Vitória Gabrielly], e nós acabamos desvendando o crime, encontrando o corpo e os responsáveis por terem matado a menina”

(Roberto Guastelli)

R7 - Mergulhar nas investigações de crimes tão pesados exige muito da mente. Como você se prepara psicologicamente para os casos?

Roberto Guastelli - Eu acredito que, com a vivência que nós temos, principalmente eu, com 30 anos como operador do direito, você cria um filtro para analisar os casos, separando o emocional do racional. O que eu sempre tento fazer é deixar a emoção de lado e trabalhar com a razão. Dessa forma, você consegue identificar os caminhos dos erros do processo. Eu sei que existem casos que chocam, principalmente alguns que acompanhamos no dia a dia e no programa ao vivo. Alguns mexem com a emoção, e não tem como esconder, mas tentamos usar essa bagagem para manter o racional como prioridade.

“Alguns [casos] mexem com a emoção, e não tem como esconder, mas tentamos usar essa bagagem para manter o racional como prioridade”

(Roberto Guastelli)

R7 - Enquanto comentarista na RECORD, quais casos costumam te chamar a atenção?

Roberto Guastelli - Um caso recente que mexeu comigo foi o do Cidade Alerta, de um garotinho na região do ABC Paulista. Foram assaltar a loja dos pais dele, e o menino passou pelos bandidos e ficou em um lado reservado, onde havia uma geladeira e uma bancada, de onde conseguia ver os criminosos. Em meio ao assalto, ele começou a orar.

Aquilo mexeu muito comigo e demonstrou que realmente a fé não depende de religião. Quando você acredita em Deus, Ele, com os pensamentos Dele, tirou os quatro meliantes do local, que estavam aterrorizando todo mundo. O menino, inclusive, ouviu que eles iriam matar a família dele. A fé move montanhas.

Roberto Guastelli presenteou menino que viralizou por orar durante assalto ao comércio da família Arquivo Pessoal

R7 - No trabalho como comentarista, um dos desafios é explicar termos jurídicos complexos para quem acompanha os programas. Como você procura tornar essas informações mais acessíveis?

Roberto Guastelli - O desafio é usar o termo mais simples na televisão e o termo jurídico em um tribunal. Consigo trazer uma linguagem mais simples para que as pessoas entendam os termos difíceis do mundo jurídico. Tanto é que existem quadros para transformar o “juridiquês” em uma linguagem mais simples e informal, para que todas as pessoas possam entender. Há termos técnicos que as pessoas não compreendem, e não adianta colocar expressões jurídicas na televisão se a interpretação ficar difícil e o público ficar sem entender. É isso que faço: trago a informação jurídica e a apresento de uma forma mais simples e informal.

Roberto Guastelli e Dudu Camargo dividem o palco do Balanço Geral Manhã Reprodução/Instagram

R7 - No início de 2026, você teve o desafio de comentar os casos no Balanço Geral Manhã, ao lado do Dudu Camargo. Como é essa parceria?

Roberto Guastelli - O Dudu é uma pessoa superinteligente. É jovem, tem praticamente a idade da minha filha mais velha e tem raciocínio rápido. Eu também sou assim, então foi um entrosamento que deu certo muito rapidamente. Ele é uma pessoa muito tranquila, e nós nos damos muito bem nos bastidores. Ele é respeitoso e é muito gostoso trabalhar com ele, porque um complementa o outro.

Ele está trazendo uma informação importante e, às vezes, eu lembro de alguma coisa que ele não lembrou ou não trouxe na hora.

Então, essa engrenagem e essa estrutura [com Dudu Camargo] funcionam muito bem.

(Roberto Guastelli)

R7 - Depois de tantos anos acompanhando casos criminais, existe algum projeto pessoal que você ainda deseja realizar?

Roberto Guastelli - Tenho um grande desejo de escrever um livro sobre os casos, para mostrar às pessoas os bastidores de um processo e da minha atuação como assistente de acusação. Mas ainda não tive tempo, por conta da correria do dia a dia. Pode ser que, no futuro, eu produza um documentário, mas hoje o principal é escrever esse livro.

R7 - Como está a expectativa para o Casos Reais? Teremos uma segunda temporada?

Roberto Guastelli - A minha expectativa é muito grande para ver a interação das pessoas com o podcast, para termos esse retorno e podermos continuar. Quem sabe, mais para a frente, fazer uma segunda série com outros casos que venham a surgir.

R7 - Ao longo da carreira, você acompanhou histórias de algumas vítimas de perto, ajudando as famílias que mais precisam. O que te motiva a dar esse apoio jurídico?

Roberto Guastelli - Eu sempre fui uma pessoa que acredita na Justiça e que sempre quis que ela fosse feita em cada caso. Tanto é que, quando assumo um caso, independentemente da repercussão, busco a justiça, aquilo que é mais valioso para uma pessoa, o bem maior, seja a vida, seja a liberdade, seja o patrimônio. Nós buscamos, lutamos e tentamos fazer o melhor.

R7 - Qual mensagem você deixa para os jovens que estão cursando direito ou que acabaram de se formar?

Roberto Guastelli - Eu acredito que os jovens que estão cursando uma faculdade de direito ou já concluíram o curso nunca devem perder a expectativa ou o sonho de fazer justiça. A Justiça pode falhar muitas vezes, mas, quando você exerce sua profissão com maestria e amor, como eu sempre exerci nesses 30 anos, coloque o coração na frente do dinheiro, porque o dinheiro é uma mera consequência.

Se você faz isso com amor, a coisa flui e você consegue fazer justiça, ajudando quem precisa ou quem não tem condições.

(Roberto Guastelli)

*Estagiários sob supervisão de Juliana Lambert

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