Netuno e Urano podem ser planetas rochosos, aponta estudo
Astrônomos encontram sinais rochosos inesperados em Urano e Netuno
Fala Ciência|Do R7

Pesquisa divulgada na revista científica Astronomy & Astrophysics indica que Urano e Netuno podem possuir uma composição muito mais rochosa do que se acreditava até hoje. Tradicionalmente classificados como gigantes de gelo, os dois planetas sempre foram descritos como mundos dominados por materiais congelados abaixo de atmosferas espessas. Entretanto, os novos resultados colocam essa interpretação em dúvida e sugerem uma estrutura interna bastante diferente dos modelos clássicos da astronomia.
Segundo os novos modelos científicos, os dois mundos podem conter uma quantidade significativamente maior de material rochoso do que se estimava anteriormente. Se os resultados forem confirmados futuramente, a descoberta poderá transformar teorias relacionadas à formação dos planetas gigantes e à evolução do Sistema Solar externo. Entre os principais resultados identificados pelos pesquisadores estão:
Modelos revelam composição inesperada
Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram simulações computacionais capazes de reproduzir as condições extremas presentes no interior dos dois gigantes gasosos. Os modelos analisaram fatores como temperatura, pressão e distribuição de elementos pesados em diferentes profundidades planetárias.
A análise apontou que as camadas externas de Urano e Netuno podem conter grandes quantidades de silicatos e materiais refratários, compostos associados à formação de rochas. Os cálculos sugerem que aproximadamente 60% dos elementos pesados dessas regiões sejam predominantemente rochosos.
Além disso, os cientistas observaram diferenças importantes entre os dois planetas. Enquanto Netuno aparenta possuir mantos internos mais ricos em rochas, Urano apresenta regiões internas relativamente mais abundantes em gelo, indicando trajetórias evolutivas distintas.
Objetos além de Netuno inspiraram a pesquisa

O estudo ganhou força após descobertas recentes envolvendo corpos do Cinturão de Kuiper, região localizada além da órbita de Netuno. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que diversos objetos dessa área, incluindo Plutão e vários cometas, possuem composições mais rochosas do que se imaginava décadas atrás.
Com base nessas evidências, os pesquisadores passaram a investigar se Urano e Netuno poderiam compartilhar características semelhantes aos pequenos corpos gelados do Sistema Solar externo.
O impacto da descoberta para a astronomia
A possível revisão da composição desses gigantes pode provocar mudanças importantes nos modelos utilizados para explicar a origem dos planetas. Além disso, o estudo também influencia pesquisas sobre exoplanetas, especialmente aqueles parecidos com Netuno, frequentemente encontrados em sistemas planetários distantes.
Embora ainda não exista uma nova classificação oficial para Urano e Netuno, os resultados mostram que o Sistema Solar continua revelando surpresas. Novas missões espaciais poderão ajudar a esclarecer se esses planetas são realmente menos gelados e muito mais rochosos do que se acreditava até agora.














