Fusão galáctica antiga pode explicar a formação atual da Via Láctea
Simulações indicam que uma colisão galáctica destruiu e reorganizou parte da Via Láctea
Fala Ciência|Do R7

A história da Via Láctea pode ter sido muito mais turbulenta do que os cientistas imaginavam. Um novo estudo sugere que nossa galáxia sofreu uma gigantesca colisão cósmica há cerca de 11 bilhões de anos, evento capaz de destruir parcialmente seu disco estelar e alterar completamente sua evolução.
A pesquisa, publicada na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, utilizou simulações avançadas para reconstruir como antigas fusões galácticas afetaram estruturas semelhantes à Via Láctea ao longo do tempo.
Os resultados indicam que o disco galáctico, região onde estão concentradas a maioria das estrelas, incluindo o Sol, pode ter sido praticamente “reiniciado” após o impacto. Entre os principais efeitos dessa colisão estão:
O disco da Via Láctea pode ser mais antigo do que parecia
Durante décadas, astrônomos tentaram descobrir quando a Via Láctea começou a formar seu grande disco giratório. Esse disco possui formato semelhante a um enorme “panqueca cósmica”, com braços espirais que giram ao redor do centro galáctico.
As novas simulações mostram que esse disco talvez tenha surgido muito antes do que se acreditava. No entanto, grandes colisões com galáxias menores poderiam destruir parte dessa estrutura, obrigando a galáxia a reorganizar lentamente seu movimento.

Isso significa que o atual padrão de rotação observado hoje pode representar não o nascimento original do disco, mas sua recuperação após uma colisão devastadora.
O misterioso evento Gaia-Salsicha-Enceladus
Os pesquisadores associam essa transformação a uma antiga fusão chamada Gaia-Salsicha-Enceladus (GSE). Esse evento foi identificado após análises detalhadas dos dados da missão espacial Gaia, que revelou estrelas com movimentos incomuns espalhadas pela Via Láctea.
Segundo o estudo, essa colisão ocorreu aproximadamente há 11 bilhões de anos, possivelmente antes das estimativas anteriores.
Além disso, os cientistas perceberam que esse período coincide com um aumento intenso na formação de estrelas e aglomerados globulares. Isso acontece porque colisões galácticas comprimem grandes nuvens de gás, desencadeando verdadeiros “surtos” de nascimento estelar.
Novos telescópios ajudam a revelar o passado cósmico
Embora seja impossível observar diretamente a juventude da Via Láctea, os astrônomos conseguem estudar galáxias semelhantes em regiões muito distantes do universo.
Instrumentos modernos como o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o radiotelescópio ALMA estão permitindo observar processos galácticos antigos com detalhes inéditos.
Essas descobertas ajudam os cientistas a entender melhor como colisões cósmicas moldaram não apenas a Via Láctea, mas também inúmeras outras galáxias espalhadas pelo universo.













