Medicamento antigo ganha novo uso contra doença infantil rara
Tratamento experimental usa fármaco antigo em doença genética rara
Fala Ciência|Do R7

Em meio aos avanços da medicina moderna, às vezes as maiores descobertas não vêm de novas moléculas, mas de medicamentos já conhecidos há décadas. Esse é o caso de uma substância antiga que está ganhando atenção por seu potencial de transformar o tratamento de uma doença genética extremamente rara em crianças.
Publicada com base em dados da colaboração entre Corewell Health, Michigan State University e a organização Every Cure, a pesquisa investiga novas aplicações para um fármaco já utilizado em outras condições médicas, incluindo infecções parasitárias e certos tipos de câncer.
Uma nova possibilidade para uma doença quase desconhecida
A condição em foco é a síndrome de Bachmann-Bupp (BABS), uma doença genética rara causada por mutações que afetam o desenvolvimento infantil. Embora pouco conhecida, seus impactos podem ser graves e incluem:
Por ser extremamente rara, com apenas cerca de 20 casos descritos no mundo, a doença ainda enfrenta grandes desafios para diagnóstico e tratamento.
O medicamento que chamou atenção dos cientistas
O foco da pesquisa é o DFMO (difluorometilornitina ou eflornitina), um medicamento já utilizado há anos no tratamento da doença do sono africana, além de aplicações dermatológicas e em protocolos contra neuroblastoma.
O interesse científico surgiu porque o DFMO atua diretamente em uma via biológica envolvida na BABS. A doença está ligada a alterações no gene ODC1, que regula processos celulares essenciais para o desenvolvimento.
O medicamento funciona ao:
Resultados iniciais animadores

Em um número limitado de pacientes tratados experimentalmente, os primeiros sinais foram positivos. As observações indicam:
Embora ainda iniciais, esses resultados reforçam o potencial terapêutico da abordagem.
O desafio das doenças raras na medicina moderna
Apesar do entusiasmo científico, o avanço do tratamento enfrenta barreiras importantes. Entre elas:
Esses fatores tornam o desenvolvimento de terapias mais lento do que em outras condições mais comuns.
Colaboração está acelerando a pesquisa
Para superar esses obstáculos, a organização Every Cure passou a atuar em parceria com instituições acadêmicas e médicas. O objetivo é acelerar a pesquisa e ampliar o acesso ao tratamento.
As principais frentes incluem:
Com isso, um novo estudo pré-clínico já está sendo planejado, marcando um passo importante na validação da terapia.














