Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Mudanças climáticas ameaçam 36% dos habitats de animais terrestres no mundo

Pesquisa mostra que incêndios, ondas de calor e secas podem transformar drasticamente a vida terrestre

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Eventos climáticos extremos podem ameaçar um terço dos habitats terrestres até 2085 (Imagem: Vicentia Olariu's Images via Canva) Fala Ciência

As mudanças climáticas já não representam apenas um problema futuro, seus efeitos estão remodelando ecossistemas agora. Um novo estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution alerta que cerca de 36% dos habitats de espécies terrestres poderão sofrer impactos severos até 2085 devido à combinação de eventos climáticos extremos.

Entre esses eventos estão ondas de calor, incêndios florestais, secas prolongadas e inundações, fenômenos que vêm se tornando mais intensos e frequentes em várias partes do planeta. O estudo foi liderado por pesquisadores do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK) e reforça que a biodiversidade global enfrenta uma ameaça muito maior do que se imaginava. Os principais riscos identificados incluem:


  • Aumento da mortalidade de animais e plantas;
  • Destruição rápida de habitats naturais;
  • Dificuldade de recuperação ecológica;
  • Perda de espécies em regiões biodiversas;
  • Maior vulnerabilidade em áreas já afetadas por secas.

Além disso, quando diferentes eventos extremos acontecem em sequência, os danos se tornam ainda mais profundos.


Quando calor, fogo e seca se acumulam

Diferente da ideia de um aquecimento gradual e lento, os pesquisadores destacam que o maior perigo está nos impactos repentinos. Uma única onda de calor intensa ou um incêndio de grandes proporções pode comprometer populações inteiras em poucos dias.


Calor, incêndios e secas colocam espécies terrestres em risco crescente (Imagem: Pexels via Canva) Fala Ciência

Se esse mesmo local já tiver enfrentado seca anteriormente, por exemplo, a capacidade de sobrevivência das espécies diminui drasticamente. Foi exatamente isso que aconteceu em partes da Austrália após os grandes incêndios de 2019 e 2020, quando áreas previamente afetadas pela seca apresentaram perdas ainda mais severas de fauna e flora. As projeções mostram que, até o fim do século:

  • 74% dos habitats podem enfrentar ondas de calor;
  • 16% estarão expostos a incêndios florestais;
  • 8% poderão sofrer secas intensas;
  • 3% enfrentarão inundações fluviais.


Regiões como a Bacia Amazônica, áreas da África e o Sudeste Asiático aparecem entre as mais vulneráveis, justamente por concentrarem grande biodiversidade.

Ainda há tempo para reduzir os danos

Apesar do cenário preocupante, o estudo também aponta uma possibilidade importante: a redução rápida das emissões de gases de efeito estufa pode mudar significativamente esse futuro.

Caso o aquecimento global seja controlado e as emissões caminhem para níveis próximos de zero nas próximas décadas, a proporção de habitats ameaçados por múltiplos eventos extremos pode cair de 36% para apenas 9%.

Esse dado mostra que ações climáticas não são apenas uma questão ambiental, mas também uma estratégia direta de proteção da vida no planeta. Preservar habitats significa proteger espécies, garantir equilíbrio ecológico e reduzir impactos que, inevitavelmente, também atingem a sociedade humana. Mais do que prever o futuro, a ciência está mostrando que ainda existe uma janela real para evitar perdas irreversíveis.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.