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NASA pode usar crateras lunares para criar espécie de GPS extraterrestre

Regiões permanentemente sombreadas da Lua podem se tornar centros avançados de navegação espacial

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Crateras congeladas da Lua podem abrigar lasers ultraestáveis para futuras missões espaciais. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

As crateras mais frias e escuras da Lua podem esconder o futuro da navegação espacial. Cientistas propuseram instalar lasers ultraestáveis dentro de crateras permanentemente sombreadas próximas ao polo sul lunar, criando uma tecnologia capaz de funcionar como uma espécie de “GPS lunar”.

A ideia, apresentada nos Anais da Academia Nacional de Ciências, utiliza condições extremas da Lua para construir sistemas de medição extremamente precisos. Essas crateras nunca recebem luz solar direta e mantêm temperaturas próximas do zero absoluto, tornando-se ambientes ideais para experimentos avançados com lasers.


Além disso, a Lua oferece um ambiente naturalmente silencioso em comparação com a Terra, com poucas vibrações e praticamente sem atmosfera. Entre as possíveis aplicações dessa tecnologia estão:

  • Navegação precisa para missões lunares;
  • Comunicação óptica entre Terra e Lua;
  • Criação de relógios atômicos lunares;
  • Medição ultra precisa de distâncias;
  • Detecção de ondas gravitacionais.


O frio extremo da Lua pode ajudar a estabilizar lasers

O sistema proposto utiliza uma estrutura chamada cavidade óptica de silício, um dispositivo capaz de manter frequências de luz extremamente estáveis.


Na Terra, pequenas vibrações, mudanças térmicas e partículas do ar podem interferir nesse tipo de equipamento. Já nas crateras lunares permanentemente sombreadas, essas perturbações seriam drasticamente reduzidas.

Tecnologia lunar poderá criar sistema semelhante ao GPS diretamente na superfície da Lua. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

As temperaturas nessas regiões podem chegar a apenas 16 kelvins, o equivalente a cerca de -257°C. Nesse ambiente, o silício praticamente não se expande nem se contrai, permitindo que os lasers mantenham frequências incrivelmente precisas.


Uma espécie de GPS para futuras missões lunares

Os pesquisadores acreditam que esses lasers poderiam fornecer sinais de referência extremamente confiáveis para pousos e deslocamentos na superfície lunar.

Isso seria especialmente importante para futuras missões próximas ao polo sul da Lua, onde a iluminação é limitada e a navegação se torna mais difícil.

Os sistemas também poderiam funcionar em conjunto com relógios atômicos espaciais, criando uma infraestrutura avançada de cronometragem para operações lunares futuras.

Lasers lunares também podem investigar fenôenos extremos do universo

Os pesquisadores acreditam que uma futura rede de lasers instalada na Lua seria capaz de detectar mínimas variações na distância entre diferentes regiões da superfície lunar.

Com esse nível de precisão, os sistemas poderiam identificar pequenas deformações no espaço-tempo provocadas por ondas gravitacionais, previstas pela teoria da relatividade.

Os primeiros testes dessa tecnologia devem ter início já nos próximos anos, começando em órbita terrestre e avançando, posteriormente, para missões ligadas ao programa Artemis. 

Caso a tecnologia funcione como esperado, as crateras escuras da Lua poderão se transformar em sofisticados laboratórios científicos dedicados à exploração espacial e à física de precisão.

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