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Tecnologia que imita o cérebro humano pode tornar IA muito mais eficiente

Pesquisadores desenvolveram um material neuromórfico que pode tornar a inteligência artificial muito mais eficiente

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Fala Ciência|Do R7

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Memristores podem revolucionar a IA com muito menos consumo de energia (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A inteligência artificial avança rapidamente, mas existe um problema cada vez mais urgente por trás dessa revolução: o enorme consumo de energia necessário para manter sistemas de IA funcionando. Com data centers cada vez maiores e modelos mais complexos, o impacto ambiental e financeiro desse crescimento se tornou uma preocupação global.

Agora você vai entender como a ciência está buscando soluções mais inteligentes para esse desafio. Uma das apostas mais promissoras vem da chamada computação neuromórfica, uma tecnologia que tenta imitar o funcionamento do cérebro humano para tornar os sistemas computacionais mais rápidos e muito mais econômicos.


Pesquisadores da University of Cambridge, no Reino Unido, publicaram na revista Science Advances um estudo mostrando um novo tipo de memristor, componente capaz de reduzir em mais de 70% o consumo energético de sistemas de inteligência artificial. Entre os principais benefícios dessa tecnologia estão:

  • Menor gasto de energia em redes neurais;
  • Redução do aquecimento de chips;
  • Maior eficiência no processamento de dados;
  • Integração entre memória e processamento;
  • Compatibilidade com a indústria atual de semicondutores.


O que é o memristor e por que ele importa tanto?

O memristor é um componente eletrônico projetado para funcionar de forma semelhante às sinapses do cérebro humano. Diferente dos computadores tradicionais, que separam memória e processamento, esse dispositivo consegue armazenar e processar informações no mesmo lugar.


Tecnologia neuromórfica promete tornar a inteligência artificial mais eficiente e sustentável (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Esse modelo ajuda a resolver o chamado gargalo de Von Neumann, um problema clássico da computação em que processador e memória precisam trocar dados constantemente, desperdiçando tempo e energia.

No novo estudo, os cientistas utilizaram um material baseado em óxido de háfnio, enriquecido com estrôncio e titânio. Esse arranjo permite que o dispositivo controle a passagem de corrente com extrema precisão, usando correntes muito menores do que os memristores convencionais.


Além disso, o sistema evita o desgaste causado pela criação e rompimento de filamentos condutores, oferecendo maior estabilidade e vida útil.

Tecnologia neuromórfica pode mudar o futuro da IA

Em testes laboratoriais, o novo memristor demonstrou capacidade de aprender, manter informações e suportar múltiplas atualizações, características fundamentais para atuar como uma sinapse artificial.

Isso significa que ele não apenas armazena dados, mas também consegue se adaptar, tornando-se ideal para aplicações em hardware de inteligência artificial mais avançado e sustentável.

Outro ponto importante é que os materiais utilizados já fazem parte da fabricação tradicional de chips, o que facilita a adoção industrial. O principal desafio ainda está na temperatura de produção, atualmente mais alta do que o ideal para processos convencionais.

Mesmo assim, essa descoberta representa um passo importante rumo a uma IA mais eficiente, sustentável e próxima do funcionamento do cérebro humano. A tecnologia do futuro pode estar justamente em aprender com a biologia.

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