Logo R7.com
RecordPlus

PCC e CV: o que se sabe sobre a designação das facções como terroristas pelos EUA

Decisão foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após resistência do governo brasileiro

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os EUA designaram as facções criminosas PCC e CV como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".
  • A decisão foi anunciada por Marco Rubio e celebrada por Flávio Bolsonaro, após reunião com Donald Trump.
  • O governo brasileiro, liderado por Lula, mostrou resistência à designação, preocupando-se com a soberania nacional.
  • A inclusão das facções na lista de terrorismo deve isolar financeiramente as organizações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Marco Rubio (à esquerda) descreveu o PCC e o CV como 'duas das facções mais violentas do Brasil' Reprodução/X/@SecRubio

Os Estados Unidos vão designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e “Organizações Terroristas Estrangeiras”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na quinta-feira (28).


A decisão foi anunciada pelo perfil de Rubio na rede social X. O secretário definiu as duas facções como “duas das mais violentas organizações criminosas no Brasil” e com capacidade de atingir os EUA.

Leia Mais

“O governo Trump continuará usando toda ferramenta disponível para proteger os interesses de nossa segurança nacional e impedir que lucro e recursos cheguem a narcoterroristas”, conclui a mensagem.


A medida vem após a reunião entre o pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente americano, Donald Trump. Após o encontro, o comunicador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou que a classificação das facções brasileiras como terroristas foi um dos pontos em pauta entre os dois políticos.

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro celebrou a medida ao compartilhar a publicação de Rubio. Na postagem, o senador escreveu “Grande dia”, expressão que ficou marcada durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.


Os deputados Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro também republicaram o comunicado e fizeram agradecimentos direcionados a Flávio Bolsonaro.

Entenda o que se sabe sobre a medida até agora

Até o momento, as ações estão restritas ao PCC e ao CV. Cabe a Rubio em consulta com o procurador-geral e o secretário do Tesouro oficializar as classificações. A avaliação é de que a medida tenha sido aprovada por Trump e discutida entre os principais integrantes do governo antes de ser anunciada.


Congresso americano pode vetar?

A classificação de terroristas globais, por sua vez, entrou em vigor imediatamente após o anúncio. Não é necessário que a classificação de terroristas globais passe pelo Congresso americano.

No caso da inclusão na de organizações terroristas estrangeiras, o Congresso é formalmente notificado e tem sete dias para revisar a decisão, sendo 5 de junho o prazo final. Caso o prazo expire sem bloqueio parlamentar, a classificação é publicada no Diário Oficial do governo americano e entra em vigor.

Mesmo após a designação, o status não é necessariamente permanente.

A organização classificada pode recorrer à Justiça americana no prazo de até 30 dias após a publicação da decisão. O caso é analisado pelo Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia.

Além disso, a lei prevê mecanismos de revisão:

  • O próprio grupo pode pedir a revogação da designação após dois anos;
  • O governo americano deve revisar o status a cada cinco anos;
  • O Congresso ou tribunais também podem determinar a revogação.

Enquanto isso não ocorre, o enquadramento continua produzindo efeitos legais e financeiros, reforçando o isolamento internacional da organização.

Por que o governo brasileiro era contra medida?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou resistência à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A principal preocupação do Palácio do Planalto envolve questões de soberania nacional e diferenças entre a legislação brasileira e a americana.

Um dos receios é que, em uma situação extrema, Washington utilize o argumento do combate ao terrorismo para justificar operações em território brasileiro, como já ocorreu em outros países ao longo dos últimos anos.

Hoje, o PCC e o Comando Vermelho são classificados como organizações criminosas pelo governo brasileiro, uma vez que suas atividades estão voltadas principalmente para o tráfico de drogas e outras práticas ilícitas, sem apresentar uma motivação ideológica — critério geralmente exigido para o enquadramento como terrorismo. No último dia 7,Lula se encontrou com Trump na intenção de desarmar essa e outras medidas americanas que impactariam o Brasil.

Após o anúncio de Rubio, o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, reagiu em nota. Segundo ele, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana sobre o Brasil.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou.

Trump já comentou o assunto?

Até o momento, o presidente americano não se manifestou a decisão envolvendo as facções brasileiras.

O que acontece na prática após a designação das facções como terroristas?

A inclusão de um grupo na lista de terrorismo dos EUA costuma gerar estigmatização internacional e pressão para que outros países adotem medidas semelhantes.

O objetivo é reduzir a capacidade financeira e operacional da organização, dificultando transferências de recursos e parcerias com empresas ou indivíduos.

Esse isolamento também amplia a cooperação internacional no combate ao financiamento do terrorismo.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.