Acusado de crimes contra a humanidade assume presidência do Quênia
Internacional|Do R7
Pedro Alonso. Nairóbi, 9 abr (EFE).- O político Uhuru Kenyatta, acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade - cometidos durante as eleições que levaram seu antecessor ao poder -, assumiu nesta terça-feira a presidência do Quênia durante cerimônia que contou com a presença de 12 chefes de Estado da África e de 60 mil cidadãos quenianos. Kenyatta, de 51 anos, é o quarto presidente do país e o mais jovem da história do Quênia a assumir o cargo. A cerimônia de posse foi realizada no estádio de Kasarani, próximo à capital Nairóbi. Ovacionado repetidamente pela multidão que lotava o estádio e agitava bandeiras do país, o novo chefe de Estado jurou o cargo com a mesma Bíblia que seu pai, Jomo Kenyatta - primeiro presidente do Quênia e considerado o "pai fundador da pátria" -, usou em 1963 (ano da independência do Quênia). Sob estrita vigilância de cerca de mil soldados e policiais, a posse foi saudada solenemente por 21 tiros de canhão. Após vencer as eleições do dia 4 de março, o novo líder - o homem mais rico do Quênia - sucede Mwai Kibaki, de 81 anos, que governava o país desde dezembro de 2002, período durante o qual Kenyatta foi o vice-primeiro-ministro, além de ministro de Finanças e Comércio. A ascenção de Kenyatta ao poder deixou a União Europeia (UE) e os Estados Unidos receosos devido ao caso pendente que o presidente tem no Tribunal Penal Internacional (TPI) por sua suposta participação em casos de violência pós-eleitoral entre o final de 2007 e o início de 2008, e que culminaram na morte de cerca de 1.300 pessoas. O novo governante certamente não conta com a simpatia de diplomatas de países como o Reino Unido, França e EUA, que deixaram transparecer, antes das últimas eleições, que se Kenyatta fosse eleito presidente, poderia haver "consequências". O Quênia é o primeiro país a eleger como chefe de Estado um candidato processado pelo TPI, e é o segundo país, depois do Sudão, a ser governado por um presidente que enfrenta um julgamento nessa corte. Além disso, o vice-presidente queniano, William Ruto, que assumiu o cargo hoje, também recebeu acusações semelhantes às de Kenyatta por parte do TPI. Em seu discurso de posse, o novo presidente garantiu que cumprirá suas "obrigações internacionais" em uma aparente alusão ao TPI, já que disse que elas devem se basear "em princípios de respeito mútuo e reciprocidade". EFE pa-jt/apc/id (foto) (vídeo)












