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Advogados de Rua, mais de uma década ajudando os sem-teto da Itália

Internacional|Do R7

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Gonzalo Sánchez. Roma, 9 mai (EFE).- A ONG italiana Advogados de Rua (Avvocati di strada), única associação voluntária da União Europeia que defende as causas legais da população sem moradia, expandiu-se desde sua criação, em 2000, e hoje em dia possui 31 unidades espalhadas pelas principais capitais do país. "Toda pessoa necessita de um advogado", é o que pensou Antonio Mumolo, fundador da associação, quando há mais de uma década, caminhando pelas ruas de sua cidade, Bolonha, conscientizou-se da situação de desamparo jurídico em que viviam os mendigos e começou a estudar diferentes casos que envolviam os sem-teto. Um ano mais tarde, o advogado trabalhista, após perceber que os problemas dos moradores de rua escapavam dos limites de sua especialização, decidiu entrar em contato com colegas de profissão com a proposta de criar uma associação para aconselhar os mendigos com seus problemas com a justiça. Estava criada então a organização Advogados de Rua, grupo que para Mumolo, "infelizmente" não deixou de crescer desde então e seguirá aumentando em função da crise econômica. Com sede em Bolonha, a associação foi crescendo até se transformar no maior escritório do setor no país, e que apesar de reunir 700 profissionais, é o que menos tem lucro, pois todos trabalham como voluntários. Segundo o estatuto do grupo, seu principal objetivo é "garantir a o aconselhamento jurídico gratuito, qualificado e organizado para as pessoas sem moradia, mas também para os cidadãos pobres". "A necessidade é real, estas pessoas necessitam advogados porque em seu dia a dia enfrentam situações conflituosas como brigas com as forças da ordem. A prova evidente de que a associação é útil é que em 2012 trabalhamos com 2.575 casos judiciais", explicou Mumolo. Quando perguntado sobre os interesses da organização, o advogado é claro. Em primeiro lugar, deseja a abertura de novas unidades em outras cidades italianas. Em segundo, construir um centro de documentação jurídico sobre exclusão social. E por último, divulgar a cultura da solidariedade através de iniciativas públicas. Além disso, em função da crise econômica, segundo Mumolo, o número de moradores de rua aumentou significativamente. "Além dos romenos, paquistaneses e, em menor medida, latino-americanos, que sempre costumamos atender, desde 2009 o número de italianos que começaram a viver na rua triplicou", disse. Segundo o advogado, a maioria é composta por empresários falidos ou que perderam o emprego, com uma média de 50 anos e que têm dificuldades em retornar ao mercado de trabalho. Mas entre os novos pobres há ainda outra figura que está crescendo, de acordo com Mumolo: o pai de família que, após um divórcio traumático e a perda de seu trabalho, sem uma rede familiar estável, termina dormindo na rua. Segundo relatório publicado pela associação sobre os casos de 2012, um total de 64% dos mendigos que solicitaram auxílio legal era de fora da União Europeia (UE), 28% de italianos e o restante de outros países da UE. Mumolo afirmou que "a crise segue modificando a sociedade" e que segundo o relatório os três temas do direito civil mais trabalhados pela organização tem relação com hipotecas, despejos de inquilinos e demissões. Além disso, desde 2010 a associação trabalha com a figura do "psicólogo andarilho", que acompanha os advogados para oferecer um auxílio mais completo aos mendigos. Uma ação que, segundo Mumolo, é uma forma simples de "levar mais justiça à sociedade", e onde existir um advogado ou um jovem com vontade de ajudar o próximo, a organização poderá crescer e diminuir a problemática da população de rua. EFE gsm/dk/rsd

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