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Afastamento de Dilma trará investimentos e reconstrução da imagem do País, diz especialista

Mudança de governo poderá reaproximar Brasil de potências como EUA e União Europeia

Internacional|Marta Santos, do R7

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Senado Federal aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff com 55 votos a favor e 22 votaram contra
Senado Federal aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff com 55 votos a favor e 22 votaram contra

Especialistas ouvidos pelo R7 dizem que o processo de impeachment pode provocar, em um primeiro momento, desconfiança política, mas também restaurar a confiança internacional no Brasil e atrair investimentos cruciais para o crescimento.

O desfecho deste processo poderá trazer um retorno positivo para o Brasil, afirma Bruno Theodoro Luciano, doutorando da Universidade de Birmingham em relações internacionais.


— Independentemente do resultado, isso possibilitará de fato o retorno de investimentos internacionais, a retomada do crescimento econômico e a geração de emprego no País, e consequentemente a reconstrução de uma imagem positiva do Brasil.

A mudança de governo também poderá reaproximar o Brasil de países como Estados Unidos e da União Europeia, cujas relações políticas e econômicas estiveram mais distanciadas nos últimos anos, explica Natalia Fingermann, professora de relações internacionais da Universidade Católica de Santos.


— São países estrategicamente muito importantes por diversas razões e, por isso, é favorável para o País estar mais próximo deles. A política externa brasileira foi muito deixada de lado após o fim do governo Lula e o Brasil perdeu com isso. A reaproximação com nações do norte do globo pode ser um dos pontos favoráveis desse processo.

Afastamento de Dilma no Senado repercute na imprensa internacional


Veja os próximos passos do processo de impeachment

Por outro lado, Natalia completa dizendo que o Brasil pode perder um pouco seu espaço no cenário mundial e voltar a se tornar apenas “mais um país da América Latina”, perdendo o espaço e a força que ganhou nos últimos anos.


— O Brasil contou por muitos anos com o prestígio de ser uma democracia respeitada e conseguiu se inserir em organizações e debates internacionais. Mas tudo isso está muito vinculado a uma democracia em crescimento e o impeachment pode enfraquecer muito essa imagem. O Brasil pode deixar de ser considerado de igual para igual por outros países.

A saída da presidente pode estremecer as relações diretas com os países vizinhos, conclui o professor de relações internacionais do Senac-SP Daniel Rei Coronato.

— Todo processo de impeachment gera problemas. É possível que haja movimentos de mobilização de países do Mercosul, provavelmente limitados, contra o impeachment, porque outros governos poderão olhar para seus países e ver que movimentos correlatos podem acontecer lá também. Dificilmente Michel Temer não será reconhecido no exterior, mas olha-se para o Brasil como um País instável.

Isso significa que, em um primeiro momento, o governo Temer terá de lidar com uma região pouco amistosa a seu mandato, diz Luciano.

— Durante o afastamento, Dilma provavelmente buscará um respaldo regional ou internacional para retomar seu mandato durante o julgamento no Senado, recebendo ou visitando figuras políticas estrangeiras, como fez durante essa semana ao receber o Presidente do Parlamento do Mercosul. A grande incógnita regional seria o posicionamento do presidente argentino Mauricio Macri, ligado à direita, frente ao impeachment de Dilma. Uma eventual reunião de emergência do Mercosul ou da Unasul após o afastamento de Dilma pelo Senado levaria o país vizinho a se posicionar a respeito do impeachment.

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