África do Sul se prepara para celebrar o Dia de Mandela
Internacional|Do R7
Marcel Gascón. Johanesburgo, 17 jul (EFE).- Milhões de sul-africanos terminam nesta quarta-feira seus preparativos para festejar o Dia Internacional de Nelson Mandela, que celebrará amanhã, quinta-feira, seu 95º aniversário enquanto continua hospitalizado em estado crítico. Segundo uma pesquisa divulgada hoje, nove em cada dez jovens deste país de 50 milhões de habitantes dedicarão no dia 18 de julho 67 minutos de seu tempo a obras de caridade ou trabalhos para a comunidade. É uma homenagem aos 67 anos que Mandela dedicou à luta contra o regime de segregação racial do apartheid e ao seu compromisso com a defesa dos direitos humanos. O aniversário do antigo estadista é celebrado desta forma desde que a ONU declarou em 2009 a data como Dia Internacional de Nelson Mandela. A Fundação Mandela e o governo da África do Sul esperam que esta edição seja a maior de todas, pois coincide com a delicada situação do ex-presidente, internado em um hospital de Pretória desde o dia 8 de junho pela recaída de uma infecção pulmonar. No entanto, as autoridades e a família de Madiba - como Mandela é conhecido em seu país - insistiram em que este deve ser um momento de celebração porque Mandela continua vivo, e não uma ocasião triste por sua doença. "Este é o aniversário mais importante para a grande família Mandela e para todo o mundo. Este ano celebraremos o 95º aniversário do meu avô conscientes que o mundo inteiro está esperançoso de sua recuperação", disse hoje Mandla Mandela, neto mais velho de Madiba. Em comunicado, Mandla Mandela pediu aos sul-africanos que adotem "o espírito de dar e compartilhar que irá mudar o mundo" e "fará Madiba sorrir", que completa hoje 41 dias hospitalizado. "Passe à ação, inspire a mudança. Faça da cada dia um Dia de Mandela", reza o lema da festividade deste ano. "Vamos retribuir a Madiba, através de nossos próprios esforços para construir para uma sociedade melhor, seus sacrifícios e contribuições", afirmou hoje em comunicado o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. "Todos os nossos pensamentos estarão postos no rico legado que Mandela deu aos sul-africanos e ao mundo", acrescentou o presidente. Por toda África do Sul, escolas, igrejas e todo tipo de instituições têm já planejados seus 67 minutos para contribuir para um mundo melhor, como Mandela fez durante 67 anos. A assistência aos indigentes, a limpeza de ruas e campos e a plantação de árvores são algumas das atividades mais populares. A presidência e boa parte dos ministros sul-africanos devem visitar escolas, apadrinhar orfanatos ou inaugurar casas sociais, como fará o próprio Zuma. Por sua parte, a Fundação Mandela, que coordena com a colaboração de várias entidades privadas os atos oficiais, organiza, entre outros atos, uma corrida de revezamentos de 67 quilômetros em Johanesburgo e uma passeata contra a fome entre os estudantes na Universidade do Free State, no centro do país. Fora da África do Sul, uma das homenagens mais importantes a Mandela vai acontecer na sede nova-iorquina da ONU, que realizará uma sessão especial para homenageá-lo e comemorar o quinquagésimo aniversário do julgamento no qual os tribunais do regime do apartheid o condenaram à prisão perpétua. Entre os convidados ao ato de Nova York estará Andrew Mlangeni, condenado junto com Mandela no famoso julgamento de Rivonia (Johanesburgo) e companheiro de prisão durante décadas do ex-presidente sul-africano. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, será um dos oradores da reunião, que contará ainda com a presença do ex-presidente americano Bill Clinton, entre outras personalidades. O próprio Clinton e outros famosos como o Dalai Lama, o ator Morgan Freeman - que interpretou a Mandela no filme "Invictus" de Clint Eastwood - e o prêmio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu, encorajaram os cidadãos de todo o mundo a participar do Dia de Mandela. EFE mg/jt/rsd












