Análise: acordo provisório entre EUA e Irã é extensão do cessar-fogo, não paz definitiva
Segundo professor Vitelio Brustolin, questão nuclear continua sendo um entrave
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Depois de pouco mais de três meses de conflito, o Irã e os Estados Unidos chegaram a um acordo, ainda provisório, que pode resultar no fim da guerra no Oriente Médio. Segundo a imprensa norte-americana, os termos já foram definidos pelos negociadores, mas ainda é necessária a aprovação do presidente Donald Trump e das lideranças iranianas.
A proposta discutida prevê a reabertura do estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Também foi aberto o caminho para um prazo de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear do Irã. Trump quer convencer Teerã a entregar o urânio enriquecido, o que impediria o desenvolvimento de uma bomba atômica.
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Nesta quarta-feira (28), o vice-presidente norte-americano afirmou que, apesar de estarem próximos a um acordo, ainda há pontos de atrito nas negociações e, por isso, seria difícil dizer exatamente se Trump assinaria o memorando de entendimento entre os países.
Em entrevista ao Conexão Record News, o professor de relações internacionais Vitelio Brustolin disse que este é o passo mais relevante dado pelos países desde que a guerra começou. Porém, apesar de a notícia parecer boa, na verdade representa apenas uma extensão do cessar-fogo por mais 60 dias, não uma paz definitiva. A grande questão gira em torno dos anseios nucleares do Irã.
“O Irã reiterou hoje [sexta-feira] que não vai entregar o seu urânio enriquecido a 60% nem aos Estados Unidos, nem a um terceiro país. Então, o Irã insiste em manter esse urânio enriquecido. E eu quero lembrar o seguinte: urânio para fins pacíficos, para fins civis, é enriquecido no máximo até 20%. O enriquecimento a 60% é, obviamente, para fins militares [...] O Irã está a um salto do enriquecimento até 90%, que é para ser utilizado para fins bélicos”, argumentou o docente.
O professor Brutolin ainda acrescentou que este “não é um bom sinal”, tendo em vista que a guerra teve início justamente para conter o programa nuclear do Irã. O fato ainda representa uma contradição de Donald Trump.
“O Trump entrou nessa guerra justamente por conta desse urânio enriquecido, que, aliás, não existia antes. Quando o Obama fez um acordo com o Irã lá em 2015, o Irã não tinha urânio enriquecido nesse grau; tinha urânio enriquecido a 3,67%, que é o necessário para fazer geradores de energia, para servir como combustível nesses geradores. Esse urânio foi enriquecido depois de 2018, quando o Trump saiu do acordo que tinha sido firmado pelo Obama. Então agora o Trump tenta corrigir um erro que ele cometeu tendo saído daqueles acordos, e esse urânio só foi criado justamente porque ele saiu dos acordos”, explicou.
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