Análise: estratégia dos EUA no Irã pode gerar crise sem precedentes no Oriente Médio
‘Há uma retórica forte dos iranianos e, ao mesmo tempo, uma resposta rápida dos americanos’, afirma especialista sobre conflito
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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As declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Turquia, sinalizaram o fim das negociações de paz com o Irã e uma retomada do conflito. O líder afirmou que é “uma perda de tempo” manter as conversas e que deve atacar o país com força na noite desta quarta-feira (8).
Para o especialista em relações internacionais e economista Igor Lucena, devido aos ataques do Irã às bases norte-americanas no Oriente Médio, a medida torna-se necessária. “Há uma retórica forte dos iranianos e, ao mesmo tempo, uma resposta rápida dos americanos. Por mais que julguem Trump como uma pessoa radical, ele não poderia ficar parado enquanto aliados da sua região [...] são atacados”.

O especialista enxerga, entretanto, que ambos os países perdem com a retomada da guerra, ao mesmo tempo que a economia global deve continuar a enfrentar dificuldades. Lucena prevê que a estratégia norte-americana deva envolver tomar a Ilha de Kharg — responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano — e instaurar uma política de escoamento da mercadoria sob a tutela dos EUA.
A medida, contudo, poderia desencadear uma crise sem precedentes no Oriente Médio: “O que poderia acontecer de uma maneira muito clara seria os iranianos atacarem as reservas de água dos países ao redor, os aliados dos EUA. [...] Aí a gente teria um descontrole total dentro do conflito”.
Por isso, o especialista acredita que os países europeus pertencentes à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) devem tentar se desvencilhar ao máximo do conflito, que só deve terminar com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos em novembro ou com uma eventual destruição da capacidade exportadora iraniana, que poderia gerar “uma espécie de avalanche econômica contra a Guarda Revolucionária”.
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