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Ceuta: como as redes sociais podem ter impulsionado crise migratória em cidade da Espanha

Governo espanhol afirma que cerca de 48 mil pessoas voltaram voluntariamente ao Marrocos em meio à crise

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Publicações nas redes sociais prometeram uma entrada fácil na Espanha, levando milhares de migrantes a Ceuta, resultando em pelo menos 72 mortes.
  • Mensagens distorceram uma decisão do Supremo Tribunal espanhol sobre imigração, criando a falsa impressão de que a entrada ilegal seria segura.
  • Imagens de migrantes em Ceuta reforçaram a ideia de uma rota viável, mas muitos encontraram a fronteira bloqueada e retornaram ao Marrocos.
  • O governo espanhol e o marroquino atribuíram o episódio a desinformação e organizações criminosas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ceuta é um território espanhol no norte da África Faro TV via Reuters

Publicações nas redes sociais que prometiam uma suposta entrada fácil na Espanha podem ter contribuído para a chegada de dezenas de milhares de migrantes à cidade de Ceuta, território espanhol no norte da África, no fim de julho. A movimentação levou pelo menos 72 pessoas à morte.

Segundo a imprensa internacional, mensagens compartilhadas na internet apresentavam a Espanha como um destino acessível, fazendo referência a uma decisão do Supremo Tribunal espanhol. A medida alterou as regras para lidar com imigrantes irregulares que chegam a nado ao país, proibindo a deportação sumária.


De acordo com o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, a resolução foi distorcida nas redes sociais para criar a falsa impressão de que seria possível entrar no país ilegalmente e permanecer em território espanhol sem risco de deportação.

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A informação, no entanto, não corresponde às regras estabelecidas pela Justiça espanhola e teria se espalhado rapidamente entre usuários marroquinos. Ainda de acordo com a imprensa internacional, algumas das contas que divulgaram esse conteúdo haviam sido criadas poucas semanas antes. Outras publicações alcançaram dezenas de milhares de curtidas, ampliando a percepção de que a travessia seria simples e segura.


Em alguns casos, fotografias registravam pessoas já em território espanhol, o que pode ter reforçado entre outros usuários a ideia de que a rota estava funcionando. Ao chegar a Ceuta, no entanto, muitos migrantes encontraram a fronteira bloqueada e não tinham meios para seguir até a Europa continental. Sem acesso a comida ou abrigo, milhares acabaram retornando ao Marrocos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a decisão judicial havia sido distorcida por traficantes de pessoas para criar a impressão de que existia uma rota fácil para a Europa. O governo marroquino, por sua vez, atribuiu o episódio à atuação de organizações criminosas.


Ainda não está claro se a onda migratória foi resultado de uma mobilização espontânea provocada pela viralização das publicações ou se houve uma ação coordenada por trás da divulgação do conteúdo.

O governo espanhol afirma que cerca de 48 mil pessoas voltaram voluntariamente em meio à crise. “Precisamos monitorar as redes sociais e combater a desinformação, que tem sido o elemento-chave para desencadear esse movimento sem precedentes. A reação que temos visto nas redes sociais por parte do movimento reacionário internacional precisa ser combatida de forma clara”, afirmou Albares.


Ele cobrou solidariedade da Europa, lembrando que as cidades de Ceuta e Melilla são as únicas da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.

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