Análise: sem ceder ao Irã, Trump precisa convencer eleitor sobre aumento do combustível
Guerra no Oriente Médio continua com impasse sobre Ormuz; eleições de meio de mandato se aproximam nos EUA
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Irã e Omã trabalham nos detalhes de um acordo sobre o estreito de Ormuz. Os países discutem um corredor marítimo temporário, com entrada e saída pelas águas territoriais iranianas e cobrança de pedágios. Apesar disso, Teerã afirma que a medida não significa a reabertura da passagem e que todos os navios vão precisar de autorização para atravessar.
Segundo autoridades, o estreito só será reaberto se os Estados Unidos atenderem às condições iranianas, que incluem o fim do bloqueio aos portos do país e a suspensão das sanções. Os norte-americanos já disseram não aceitar a decisão. Na opinião do especialista em estratégia e segurança internacional Ricardo Cabral, é improvável que Washington ceda às exigências de Teerã.

A esquadra americana continua bloqueando o estreito, ele destaca, mas em um bloqueio “sempre muito parcial”. “Por que parcial? O que o Irã está fazendo? E os americanos estão deixando? Eles estão passando petróleo por navios de outras bandeiras, muitas das vezes dos poços que são compartilhados com o Iraque e com o Catar, principalmente. Esse petróleo é passado por ali, ou então em pequenos navios, e transportado para outro navio maior”, explica no Conexão Record News.
No entanto, Cabral destaca que esse escoamento parcial não atende às necessidades do Irã, que vive uma crise econômica. Do outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisa aumentar o preço do combustível para financiar as investidas no Oriente Médio, em uma medida impopular e arriscada em pleno período eleitoral. Em novembro, os norte-americanos votam nas eleições de meio de mandato.
“[Trump] já prepara o público americano com anúncios, com muitos anúncios agora nesse período eleitoral americano, de que o galão precisa ficar mais caro, vai ficar mais caro, porque eles não podem permitir um Irã nuclear, que é uma ameaça aos Estados Unidos e seus aliados. Convence o americano médio? Não muito, mas ele tem quase US$ 1 bilhão em propaganda para vender essa imagem.”
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