Ao fim do julgamento, promotoria pede pena severa para chinês Bo Xilai
Internacional|Do R7
Por John Ruwitch
JINAN, China, 26 Ago (Reuters) - Promotores chineses solicitaram uma pena dura para o ex-dirigente político Bo Xilai, cujo julgamento por acusações de corrupção ativa e passiva e abuso de poder terminou nesta segunda-feira.
Bo, que era dirigente do Partido Comunista na região metropolitana de Chongqing, teve sua carreira encerrada por um escândalo que levou à condenação da sua mulher, Gu Kailai, pelo assassinato de um empresário britânico amigo da família.
Mas desde o início do julgamento, na quinta-feira, o político fez uma defesa inesperadamente inflamada no tribunal de Jinan, chegando a chamar a mulher de insana por ter deposto contra ele.
O tribunal, anunciando o final dos cinco dias de julgamento, disse que o veredicto será proferido posteriormente. Não foram citados detalhes, mas a expectativa é de que o resultado seja divulgado em algumas semanas.
Bo declarou-se repetidamente inocente das acusações, embora tenha admitido que tomou algumas decisões erradas e envergonhou seu país por causa do tratamento dispensado ao ex-chefe regional de polícia Wang Lijun, primeiro a ter avisado Bo de que Gu era suspeita pelo assassinato de Neil Heywood.
Wang se refugiou num consulado dos EUA depois de confrontar Bo, e também acabou sendo condenado por acobertar o crime.
Em suas alegações finais, a promotoria disse que Bo não deve ter direito a leniência, já que voltou atrás de confissões feitas antes do tribunal, alegando ter sido psicologicamente pressionado.
"Nos últimos dias do julgamento, o acusado Bo Xilai não só negou terminantemente uma vasta quantidade de fatos e indícios conclusivos dos seus crimes como também repudiou materiais e testemunhos por escrito prévios ao julgamento", disse o tribunal.
"Aproveitamos a oportunidade para lembrar a Bo Xilai: os fatos dos crimes são objetivos, e não podem ser revertidos ao seu capricho", disse a promotoria, sem identificar qual dos quatro promotores fez os comentários.
Em sua declaração final à corte, Bo admitiu falhas.
"Sei que sou um homem imperfeito", disse Bo. "Sou muito subjetivo e mal-humorado. Já cometi erros sérios e equívocos... Não administrei bem minha família e meus subordinados, cometi grandes erros e lamento pelo partido e pelo povo."
Bo pode ser condenado à morte, mas a maioria dos observadores acha que isso é improvável, pois o Partido Comunista não desejaria transformar em mártir um homem que ganhou popularidade com políticas esquerdistas de bem-estar social.
Esse é considerado o julgamento de maior visibilidade política na China desde o processo contra a chamada Camarilha dos Quatro, após o final da Revolução Cultural, na década de 1970.
(Reportagem adicional de Hui Li e Sui-Lee Wee, em Pequim)









