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Após referendo, Suíça rejeita aumentar restrições contra entrada de imigrantes no país

População também se recusou a aprovar novas medidas pata o mercado financeiro

Internacional|Do R7

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A população suíça apostou neste domingo (30) por manter o status quo e seguir as sugestões do Conselho Federal (governo), que recomendava rejeitar as três iniciativas populares propostas para votação no referendo.

As iniciativas populares pretendiam restringir ainda mais a imigração, aumentar e bloquear as reservas de ouro, e eliminar os privilégios fiscais de estrangeiros ricos residentes na Suíça, mas as três foram categoricamente rechaçadas pelos votantes.


A participação girou em torno de 50%, um resultado "normal" para os referendos de alcance federal. Com um 74,1% dos votos e em todos os cantões sem exceção, os suíços rejeitaram a iniciativa que pretendia limitar ainda mais a imigração estabelecendo uma porcentagem máxima de crescimento dos estrangeiros residentes na Confederação Helvética, com o argumento de preservar o meio ambiente.

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Os suíços também rejeitaram com um contundente 77,3% dos votos uma iniciativa que pedia ao SNB (Banco Central Suíço) ampliar suas reservas de ouro até, pelo menos, 20% de seus ativos, que tais depósitos não possam ser vendidos, e que todos estejam consignados na Confederação Helvética.

Finalmente, os suíços recusaram com 59,2% dos votos uma iniciativa que pretendia eliminar os privilégios fiscais que permitem que os estrangeiros ricos residentes no país paguem impostos em função de suas despesas e não de sua fortuna e de sua renda, como os demais cidadãos.


A população decidiu seguir a opção preferida pelo governo, que tinha rejeitado as três iniciativas e que mostrou sua satisfação pelo resultado. A ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, se declarou satisfeita e "surpreendida" com a clara recusa à iniciativa sobre imigração.

"Uma aceitação do texto não teria resolvido nenhum problema ecológico, mas teria causado grandes problemas ao nosso país", afirmou. Os meios econômicos também mostraram satisfação, dado que rejeitavam as três propostas porque podiam colocar em risco tanto a estabilidade financeira quanto a capacidade de manobrar no mercado de trabalho.


"Ao dizer 'não' à iniciativa sobre a imigração, nossos compatriotas demonstraram que não querem envenenar mais as relações com a União Europeia", afirmou Rudolf Minsch, economista-chefe do principal sindicato suíço, o Economiesuisse.

Minsch se referia ao fato ocorrido em fevereiro quando foi aprovada em referendo uma iniciativa para limitar a imigração restabelecendo cotas.

O grande argumento usado pelo governo para rejeitar a proposta foi os problemas que a entrada em vigor de uma iniciativa similar à aprovada em fevereiro acarretaria para as relações com a União Europeia, que já são muito tensas.

A proposta sobre os privilégios fiscais dos ricos tinha sido apresentada os países de esquerda que entendiam que a prerrogativa viola a igualdade fiscal, é uma ferramenta de evasão fiscal e um impedimento à luta contra a criminalidade econômica.

Alguns argumentos não fizeram sucesso com a população, que decidiu manter o status quo e deixar que sejam os cantões os que decidam se mantêm ou não este sistema. Segundo a ministra de Finanças, Eveline Widmer-Schlumpf, com esta decisão o federalismo foi respeitado.

"O sistema perdurará enquanto não houver pressão internacional", afirmou. A respeito das iniciativas sobre o ouro, seus promotores pretendiam "resguardar a independência monetária da Confederação", mas o governo e o parlamento entendiam que o único que ocorreria caso fosse aprovada a proposta era que o BNS teria menos margem de manobra para estabelecer a política monetária, e que irremediavelmente perderiam receitas.

A rejeição foi clara, dado que os 26 cantões da Confederação Helvética votaram contra da iniciativa com porcentagens superiores a 70%. Eveline Widmer-Schlumpf comemorou o resultado, e lembrou que se a iniciativa fosse aprovada teria "consequências nefastas não só para as exportações suíças, mas para toda a economia em seu conjunto". 

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