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Após supertufão, milhares de filipinos buscam ajuda nas ruas de Tacloban

Internacional|Do R7

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Helen Cook. Tacloban (Filipinas), 11 nov (EFE).- Milhares de pessoas que perderam tudo ou quase tudo o que tinham devido à passagem do supertufão Haiyan andam nesta segunda-feira por ruas e estradas de Tacloban, capital da província de Leyte, em busca de alimentos e água, três dias depois de o fenômeno meteorológico ter arrasado as províncias centrais das Filipinas. O governo provincial colocou sacas de arroz de 50 quilos nas laterais das calçadas, onde imperava a lei da força perante a falta de presença das forças de ordem. As equipes de limpeza também chegaram à região para trabalhos de remoção de árvores caídas e de toneladas de escombros de antigas casas e edifícios, que impedem o tráfego de veículos e a chegada de ajuda às áreas mais isoladas. Os próprios moradores confirmam a quase nula presença das forças de ordem, embora reconheçam que as autoridades locais também foram afetadas pelos estragos do tufão. "Vimos poucos soldados das forças de segurança, mas claramente como eles vão estar aqui se também foram afetados?", declarou à Agência Efe Terry Mabag, proprietário de uma empresa do ramo de construção em Tacloban. O porta-voz da Defesa Civil, Reynaldo Balido, afirmou que o restabelecimento da ordem em Tacloban e em outras áreas é uma das "principais prioridades". A Polícia Nacional e o Exército enviaram reforço às zonas afetadas para assegurar a paz e a ordem na região. Magab e sua família sobreviveram ao aumento do nível da água, causador da maior parte das mortes, refugiados na cobertura da casa onde vivem. "Temos a sorte de que nossa casa é de três andares e nós estávamos na cobertura. A água esteve a ponto de alcançar o lugar onde nos abrigamos, mas justamente nessa hora começou a baixar", comenta o sobrevivente. Tacloban e seus arredores apresentam agora uma paisagem inóspita, de grande desolação. A maioria das casas está totalmente destruída, e construções de tijolos estão arruinadas. Quase não se vê vegetação pela região. Segundo estimativas da polícia, mais de 70% dos edifícios de Tacloban foram destruídos com a passagem do tufão Haiyan na sexta-feira. Beverly Cabillo, uma moradora local, contou que Haiyan foi como "um dragão enorme que chegou e levou tudo em um instante". "Nos refugiamos em casa porque pensávamos que o tufão não seria tão intenso, mas aos poucos começou a arrancar o telhado de nossa casa", contou Bervely, que ao retornar para sua casa a encontrou sem teto e com os móveis a mais de 10 metros de distância. A sobrevivente e sua família, ao verem a potência do tufão, decidiram buscar refúgio na casa de um vizinho atravessando a rua com uma cadeira na cabeça para evitar serem atingidos por um dos inumeráveis objetos arrastados pelo vento, que chegou a superar os 300 km/h. Bervely disse não ter visto nenhuma equipe de resgate pela região e nem as forças da ordem, e pediu ajuda por causa da escassez de líquidos para lutar contra a sede. Embora os vizinhos se queixem da falta de ajuda, uma equipe de empregados do Ministério das Infraestruturas está em Tacloban limpando o acesso à região, disse à Agência Efe o engenheiro chefe Ferdinand Briones, cuja equipe trabalha quase 24 horas por dia para tentar abrir as ruas para uma esperada chegada de mantimentos e bens de primeira necessidade. Um avião das Forças Armadas dos Estados Unidos chegou nesta tarde a Tacloban, cujo aeroporto foi reaberto hoje de maneira parcial, trazendo grandes quantidades de água, cobertores, pacotes de comida e geradores de energia elétrica. Enquanto isso, milhares de pessoas fazem intermináveis filas nos postos de gasolina que ainda permanecem de pé para tentar conseguir um pouco de combustível, com um limite estabelecido pelo governo regional. O presidente das Filipinas, Benigno Aquino, declarou hoje estado de calamidade em todo o país, o que permitirá a imposição de um controle de preços para bens de primeira necessidade e evitar a especulação. Enquanto os números extra-oficiais e os relatórios falem em dezenas de milhares de mortes na ilha de Leyte, o Conselho para a Gestão e Redução de Desastres prossegue com a lenta apuração oficial de vítimas. O último relatório do órgão governamental filipino disse que o tufão deixou 255 mortos, com 71 feridos e 38 desaparecidos. O número de pessoas afetadas de alguma forma chega a quase 9,7 milhões. Cerca de 615 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, das quais 433 mil estão alojadas em 1.444 abrigos. EFE hc/ff/id (foto)

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