Ariel Castro pode ser condenado à morte pelo sequestro das jovens de Ohio
Internacional|Do R7
Por Julio César Rivas. Cleveland (EUA), 9 mai (EFE).- Ariel Castro, acusado do sequestro e estupro de três jovens de Cleveland, no estado de Ohio (EUA), que estiveram desaparecidas durante uma década, seguirá na prisão depois que uma juíza lhe impôs nesta quinta-feira uma fiança no valor de US$ 8 milhões. Além disso, o promotor do caso anunciou que estudará pedir a pena de morte para Castro, que depôs hoje no Tribunal Municipal de Cleveland junto com seus dois irmãos, Onis e Pedro, que ficaram livres e sem acusações por decisão da juíza Lauren Moore. Os três irmãos, de origem porto-riquenha, foram detidos pela polícia na segunda-feira, depois que uma das jovens conseguiu escapar de seu cativeiro com a ajuda de alguns moradores. Castro, de 52 anos, está sendo acusado pelo sequestro e estupro de Michelle Knight, Amanda Berry e Gina DeJesus, assim como do sequestro da filha de seis anos de Amanda, que nasceu durante seu cativeiro. Durante a audiência judicial, que durou apenas cinco minutos, Onis e Pedro não se dirigiram a Ariel, que permaneceu cabisbaixo e só se comunicou com sussurros com sua advogada. Por sua vez, o promotor do condado de Cuyahoga, em Cleveland, Timothy McGinty, disse que estudará solicitar a pena de morte para Castro, porque sua intenção é acusar-lhe de assassinato com agravante, acusação relacionada com informações surgidas hoje de que ele teria forçado as três jovens a abortarem após estuprá-las. Segundo McGinty, o estado de Ohio permite solicitar a pena de morte para os "criminosos mais depravados que cometem um assassinato com agravante no curso de um sequestro". Enquanto isso, seguem surgindo mais detalhes do tétrico caso, tanto sobre o tormento que sofreram as três jovens como de seu resgate. Um relatório policial revelou hoje que uma das sequestradas, Michelle Knight, ficou grávida pelo menos cinco vezes de Castro e em todos os casos sofreu abortos provocados por espancamentos e falta de alimentos. Michelle também disse à polícia que quando Amanda Berry ficou grávida há seis anos, Castro a obrigou a ajudá-la no parto e teve que ressuscitar o bebê quando este deixou de respirar logo após nascer. No bairro onde aconteceu o prolongado sequestro, o assunto não para de repercutir. Aurora Martí, que vive na casa situada em frente à de Castro, disse à Agência Efe que não foi Charles Ramsey, considerado agora um herói em Cleveland, mas ela quem atendeu primeiro os gritos de socorro. "Me aproximei correndo quando a menina começou a gritar pedindo ajuda. Ela me disse que era Amanda Berry, mas eu disse que não, que Amanda estava morta", declarou Aurora, enquanto outro vizinho confirmava a história com a cabeça. "Então Angelo (Cordero) que estava ao meu lado começou a explicá-la como quebrar a parte baixa da porta com o pé. Assim que a quebrou, começou a gritar que estava livre, agarrou sua filha e foi embora correndo", acrescentou Aurora que vive na vizinhança há mais de 40 anos. "A única coisa que Ramsey fez foi chamar a polícia" comentou. Aurora disse ainda que ninguém se atreveu a entrar na casa e que também Amanda não lhes disse que havia outras mulheres no interior e afirmou que nunca imaginou que Castro fosse capaz dos delitos pelos quais está sendo acusado. "Achávamos que ele era gay porque nunca o víamos com nenhuma mulher" completou a filha de Aurora, Jovita Martí. Um conhecido de Castro entrevistado pela Efe, Ricky Sánchez, também declarou que nunca pensou algo assim dele e assegurou que esteve na quinta-feira da semana passada na casa e não viu nada estranho. "A única coisa que me chamou atenção é que enquanto estava ali apareceu uma menina de seis anos e Ariel me disse que era sua neta", declarou. Sánchez, que estava relacionado com Ariel porque ambos tocavam baixo em grupos musicais, acrescentou que o acusado "é um grande ator". "Nunca pude imaginar nada assim", concluiu estarrecido. EFE jcr/rsd (vídeo) (foto)









