Assange diz que sua principal preocupação é ser processado pelos EUA
Internacional|Do R7
Washington, 19 jun (EFE).- O fundador do Wikileaks, Julian Assange, não tem planos de deixar a embaixada do Equador em Londres, onde já está há um ano, e garantiu nesta quarta-feira que seu maior temor é ser processado nos Estados Unidos caso seja extraditado para a Suécia. Assange afirmou hoje, por telefone, que o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação secreta contra ele com a intenção de processá-lo. O hacker australiano enfrenta um pedido de extradição da Suécia para que sejam investigadas acusações de abusos sexuais, algo que Assange considera uma "fachada" com o objetivo de que ele possa ser julgado pelos EUA. "Estamos em litígio com os EUA no processo contra (o soldado americano Bradley) Manning e litigamos no mundo todo contra o bloqueio bancário injusto ao qual estamos submetidos", declarou Assange, em referência aos problemas econômicos do Wikileaks devido ao congelamento de doações. Assange criticou ainda os ataques contra a organização por parte dos EUA e de outros países e disse que o Equador se mostrou "formalmente obrigado" a proteger um editor e jornalista como ele. O Wikileaks reiterou repetidas vezes que é uma organização jornalística e que está protegida pelo direito de informar as pessoas. Além disso, o site denunciou que é perseguido pelos EUA por ter conseguido, com a suposta ajuda de Manning, acesso a dados secretos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, e documentos diplomáticos do Departamento de Estado. Assange também admitiu hoje que o Wikileaks manteve contato com Edward Snowden, responsável pelo vazamento de programas secretos de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA). "Estamos em contato com os advogados de Snowden e temos trabalhado no processo para que ele consiga asilo na Islândia", declarou. Da teleconferência realizada hoje também participaram Daniel Ellsberg, responsável pelo vazamento dos "papéis do Pentágono" em 1971, e Thomas Drake, ex-executivo da NSA, condenado em 2011 a um ano de prisão - a ser cumprido em liberdade condicional - por revelar segredos da agência. EFE jmr/apc/rsd












