Atentado contra edifício da polícia egípcia deixa 13 mortos e 134 feridos
Internacional|Do R7
(Atualiza com fuga frustrada de presos e outros dados). Cairo, 24 dez (EFE).- Pelo menos 13 pessoas morreram e 134 ficaram feridas em um atentado nesta terça-feira contra a Direção Geral de Segurança da província egípcia de Dakahliya, no delta do rio Nilo, informou a agência oficial egípcia "Mena" e as autoridades responderam com advertências de reforçar a luta contra o terrorismo. Fontes de segurança consultadas pela Efe elevaram o número de vítimas de 14 mortos e 250 feridos. O veículo explodiu junto às dependências na cidade de Mansura da Direção Geral de Segurança e, de acordo com as primeiras investigações, era conduzido por um suicida. A apenas 20 dias do referendo sobre o novo projeto de Constituição, o governo egípcio garantiu que este atentado não dificultará o roteiro da transição nem sua luta contra os extremistas. O governador da província de Dakahliya, Omar Shawadfi, fez um chamada para a doação sangue por causa do grave estado dos feridos. A explosão, registrada no início da madrugada, causou grandes destroços na fachada da sede de segurança e em edifícios vizinhos, como o da Prefeitura de Mansura, um cinema e uma agência bancária. No meio de um ambiente tenso, a polícia abortou uma tentativa de fuga de presos de uma prisão próxima ao local, e várias pessoas se concentraram para respaldar as forças da ordem e atacaram propriedades de supostos islamitas como vingança pelo atentado. Desde Mansura, o titular egípcio do Interior, Mohammed Ibrahim, ressaltou que perseguirão "os autores deste atentado, sejam da Irmandade Muçulmana ou de qualquer grupo extremista". "O Egito enfrenta um inimigo que não tem nem religião nem nação e que pretende destruir e desestabilizar o país e atrasar o roteiro (do período transitório)", denunciou o ministro, alvo em setembro de um atentado com carro-bomba no Cairo. Ibrahim não foi o único que acusou indiretamente a confraria pelo ataque. O porta-voz do governo, Sharif Shauki, rotulou a Irmandade de "grupo terrorista" e disse que mostrou "sua cara mais cruel para atemorizar Egito e derramar sangue". Já o primeiro-ministro egípcio, Hazem al Beblaui, não quis fazer essas qualificações e em entrevista coletiva assinalou que o atentado é "a máxima expressão do prejuízo ao Egito". "Este ataque é a continuação de um processo longo de operações terroristas, entre elas a tentativa de assassinato do ministro do Interior, as manifestações, a agressão aos bens públicos e a ameaça à segurança dos cidadãos", denunciou Beblaui, que insistiu que as autoridades enfrentarão com "firmeza" o terrorismo. O atentado aconteceu enquanto o Egito prepara um referendo sobre a nova Constituição para os próximos dias 14 e 15 de janeiro, parte do plano traçado pelos militares após o golpe de Estado que derrubou em 3 de julho o presidente do país, o islamita Mohammed Mursi. Depois do plebiscito, para o qual a Irmandade Muçulmana e seus aliados convocaram um boicote, acontecerão eleições parlamentares e presidenciais se a Carta Magna for aprovada. A presidência egípcia decretou três dias de luto pelo atentado de hoje, e ressaltou que não vão permitir que "o terror e os que o apóiam atrasem os planos do futuro". A Irmandade Muçulmana condenou o atentado "contra a unidade do povo egípcio", e denunciaram que o governo tenta aproveitar este fato para encorajar a instabilidade. Diante das acusações do governo e de grupos políticos liberais, a confraria denunciou que essas "declarações incendiárias querem fomentar mais violência, caos e instabilidade". Desde o golpe de Estado contra Mursi, aumentaram os ataques terroristas contra as forças de segurança egípcias, que começaram na Península do Sinai, reduto de vários grupos extremistas, e que se estenderam ao longo do território egípcio. As forças de segurança lançaram campanhas para deter os terroristas em todo o país, principalmente no Sinai, onde foram abatidos 184 terroristas desde agosto passado. Segundo dados divulgados ontem pelo porta-voz militar, coronel Ahmed Ali, outros 203 extremistas foram feridos e 834 detidos nas operações, nas quais o exército apreendeu grande quantidade de armas e destruiu 786 túneis ilegais que comunicavam o Sinai com a faixa palestina de Gaza. EFE mv-ir/cd (foto)









