Boicote de empresas à Rússia é inútil e esbarra na lacração
O foco dos protestos não deve ser sabotar a cultura e a culinária da Rússia e prejudicar os trabalhadores do país, mas sim punir Putin
Internacional|Marco Antonio Araujo, do R7

A guerra da Ucrânia está transformando o boicote de empresas em lacração. Pior: de forma inconsequente, causando desemprego e, aqui no Brasil, vexame e constrangimento.
Alinhadas à desastrada política americana de bloqueio e sanções à Rússia, grandes marcas estão fechando suas sedes, lojas e atendimento online no território governado por Putin.
Gigantes do fast-food e do setor tecnológico acreditam, dessa forma, estar punindo os invasores. Talvez ignorem que esse papel é exercido não por seus funcionários e consumidores, mas por soldados e militares na linha de frente dessa guerra que mobiliza a insanidade mundial.
No Brasil, um restaurante de chefs renomados, famoso entre gente descolada disposta a pagar preços salgados por pratos sem requinte, tomou uma decisão que beira o ridículo: retirou o estrogonofe do cardápio. Em protesto contra a Rússia.
Embora esse prato tenha receitas em diversos países eslavos e europeus (todas sem o creme de leite consagrado no Brasil), os proprietários devem estar orgulhosos da própria atitude tão supostamente revolucionária quanto certamente inútil.
Assim caminha a humanidade, mais disposta a apoiar uma escalada irracional do que a buscar saídas para a paz.
Fica a dica: em vez de apostarem no desemprego, enfraquecerem a economia mundial e boicotarem a cultura e a culinária russas, todos poderiam ser mais inteligentes. Se há um inimigo, ele tem nome: Vladimir Putin. Foco nele.












