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Boris Johnson sofre uma queda brutal após três anos turbulentos no poder

Veja a cronologia dos fatos que tiraram o primeiro-ministro britânico do poder na Inglaterra

Internacional|

Boris Johnson renunciou nesta quinta-feira (7), mas permanecerá no cargo até a escolha de um novo líder
Boris Johnson renunciou nesta quinta-feira (7), mas permanecerá no cargo até a escolha de um novo líder Boris Johnson renunciou nesta quinta-feira (7), mas permanecerá no cargo até a escolha de um novo líder

Após sua chegada triunfal ao poder em meados de 2019, Boris Johnson durou três anos à frente do governo britânico. Desacreditado devido a vários escândalos, o homem que sempre se negou a renunciar foi empurrado para a porta de saída pelo próprio Partido Conservador. Veja abaixo a sucessão de fatos que levou ao Johnson a anunciar sua saída do governo nesta quinta-feira (7):

JULHO DE 2019: VITÓRIA ESMAGADORA

Com a renúncia de Theresa May, o líder da campanha pró-Brexit Boris Johnson é escolhido para comandar o Partido Conservador em 23 de julho de 2019, após uma vitória esmagadora na disputa com Jeremy Hunt, ministro das Relações Exteriores.

Um dia depois, é nomeado primeiro-ministro pela rainha Elizabeth 2ª e promete uma rápida saída da União Europeia.

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JANEIRO DE 2020: HERÓI DO BREXIT

Muito popular, ele conquista em dezembro de 2019 uma maioria histórica para os conservadores na Câmara dos Comuns, depois de convocar eleições legislativas antecipadas.

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Os deputados aprovam seu acordo sobre o Brexit e, em 31 de janeiro de 2020, três anos e meio após o referendo, o Reino Unido sai da UE.

ABRIL DE 2020: PANDEMIA E CUIDADOS INTENSIVOS

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O primeiro-ministro anuncia em 27 de março estar com Covid-19, depois de sofrer sintomas leves.

Em 5 de abril Johnson é hospitalizado. No dia seguinte é transferido para a UTI, onde permanece por três dias.

ABRIL DE 2021: OS PRIMEIROS ESCÂNDALOS

Boris Johnson é criticado desde o início da pandemia por sua gestão da crise, acusado, por exemplo, de ter demorado a reagir. Em abril de 2021, ele nega supostas declarações nas quais seria contrário a um terceiro confinamento.

O primeiro-ministro luta com um caso de lobby que afeta alguns membros de seu governo e uma polêmica sobre a questão do financiamento caro da reforma de sua residência oficial.

MAIO DE 2021: REFORÇADO NAS URNAS

Apesar da crise, o partido do primeiro-ministro ganha espaço diante dos trabalhistas nas eleições locais de 6 de maio de 2021, conquistando o reduto histórico de Hartlepool, no nordeste da Inglaterra.

DEZEMBRO DE 2021: O "PARTYGATE"

No início de dezembro se acumulam revelações sobre várias festas ilegais organizadas em Downing Street durante os confinamentos. Os britânicos denunciam dois pesos e duas medidas, pois Johnson acabara de anunciar restrições mais severas contra a Covid.

A lista de festas aumenta nas semanas seguintes, e investigações são abertas sobre o tema.

Em 12 de abril, Boris Johnson informa que recebeu uma multa da polícia por infração da lei – algo que nunca havia acontecido com um primeiro-ministro em exercício –, por ter participado de uma festa-surpresa de aniversário em junho de 2020 em Downing Street. Suas explicações mudam, mas no Parlamento ele afirma que não violou as regras.

MAIO DE 2022: DERROTA ELEITORAL

O escândalo afunda sua popularidade entre os britânicos – que também sofrem com o aumento do custo de vida. Os conservadores perdem as eleições locais de 5 de maio.

JUNHO DE 2022: VOTO DE CENSURA

Boris Johnson sobrevive em 6 de junho a um voto de censura dos deputados do Partido Conservador, convocado por um grupo de parlamentares irritados com o escândalo "partygate". Mais de 40% dos deputados votam contra o primeiro-ministro, o que demonstra a dimensão do mal-estar.

ESCÂNDALOS SEXUAIS

Depois do "partygate", começa uma série embaraçosa de escândalos sexuais entre os conservadores, incluindo um deputado suspeito de estupro detido e depois libertado sob fiança em meados de maio, assim como um ex-parlamentar condenado em maio a 18 meses de prisão por agressão sexual contra um adolescente.

Em 5 de julho, Boris Johnson pede desculpas e admite um "erro" por ter nomeado em fevereiro Chris Pincher como o responsável pela disciplina parlamentar dos deputados conservadores, quando já sabia de acusações de teor sexual contra ele.

JULHO DE 2022: RENÚNCIA COMO LÍDER CONSERVADOR

No mesmo dia 5, cansados dos escândalos, os ministros das Finanças e da Saúde pedem demissão. Eles são acompanhados por uma avalanche de renúncias dentro do governo.

Encurralado pelo Partido Conservador, Boris Johnson renuncia nesta quinta-feira (7) como seu líder, embora continue como primeiro-ministro até que seu sucessor seja escolhido.

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