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Brics aprovam criação de banco de desenvolvimento, diz ministro sul-africano

Brasil e China fecham acordo para fazer comércio utilizando as próprias moedas; montante chega a R$ 60 bilhões

Internacional|Do R7

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assina acordo de troca de moedas com o chefe das finanças chinês, Lou Jiwei
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assina acordo de troca de moedas com o chefe das finanças chinês, Lou Jiwei

Os países emergentes do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) aprovaram nesta terça-feira (26) a criação de um banco de desenvolvimento conjunto para financiar projetos de infraestrutura.

A informação foi confirmada à agência France Presse pelo ministro sul-africano das Finanças, Pravin Gordhan, que participa da reunião de chefes de estado do grupo que acontece hoje e amanhã na cidade sul-africana de Durban.


— Está feito. Os chefes de estado irão anunciar os detalhes.

Os presidentes dos cinco países que formam o bloco irão se reunir apenas na quarta-feira (27).


Os cinco principais países emergentes do mundo tentam dar, com a constituição de um banco de desenvolvimento, um passo que poderá ser primordial em seu objetivo de reformar o sistema financeiro mundial.

A proposta é que a instituição seja alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), além de servir de referência para o desenvolvimento do bloco e também de países cuja economia é considerada emergente.


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Os detalhes do novo banco ainda não foram divulgados, mas, inicialmente, a previsão é de que o capital da nova instituição bancária seja em torno de US$ 50 bilhões (R$ 100 bilhões), com possibilidade de abertura à participação de cada país do Brics. Todos os integrantes do bloco deverão ter direito a voto no Conselho de Administração da instituição.

Com a criação da instituição bancária, a ideia é que o grupo tenha mais acesso ao crédito e mais voz nas questões mundiais, principalmente nas negociações com europeus e norte-americanos. Há uma insatisfação geral no grupo em relação às instituições financeiras globais, como o FMI e Banco Mundial, além do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Acordo com China

Os bancos centrais de Brasil e China fecharam um acordo nesta terça-feira de troca de moedas locais (reais e iuanes), com operações de até R$ 60 bilhões (cerca de US$ 30 bilhões) e duração de até três anos.

O montante pode ser prorrogado de acordo com a vontade das partes e com isso os dois países agem para tirar quase metade de suas ações comerciais da zona do dólar.

O Banco Central brasileiro informou que a medida tem o objetivo de "facilitar o comércio bilateral entre os dois países".

O acordo, assinado horas antes do início da cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Durban, no país africano, é uma medida das duas maiores economias emergentes para trazer mudanças reais ao fluxo de comércio internacional dominado pelos Estados Unidos e Europa.

"Nosso interesse não é estabelecer novas relações com a China, mas expandir relações a serem usadas no caso de turbulência nos mercados financeiros", disse o presidente do BC brasileiro, Alexandre Tombini, após a assinatura.

Investimentos na África

Os investimentos feitos na África pelos países do grupo, sobretudo a China, será outra das questões centrais da reunião, como indica o lema da cúpula.

Segundo dados do próprio grupo, os cinco países do Brics representam 42% da população mundial e 45% da força de trabalho existente no planeta.

Em 2012, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul somaram 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, e o comércio entre eles alcançou US$ 282 bilhões.

Além disso, a média de crescimento da economia dos Brics em 2012 foi de 6,1% e, segundo previsões do próprio grupo, deverá subir para 6,9% em 2013.

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