Cadete morre e outras três ficam feridas em treinamento da polícia na Bolívia
Internacional|Do R7
La Paz, 19 nov (EFE).- Uma cadete da Academia Nacional de Policiais da Bolívia (Anapol) morreu de crise asmática e outras três ficaram feridas após terem sofrido violência física durante um treino. Trata-se da cadete Cinthia Poma Gutiérrez, de 24 anos, que morreu por uma "crise asmática secundária", ocasionada "por um esforço físico que teria realizado", disse à imprensa o chefe da Divisão de Homicídios da Força Especial de Luta contra o Crime (FELCC) de La Paz, major Walter Sosa. As informações estão no laudo preliminar que a FELCC recebeu da clínica policial Virgem de Copacabana, para onde Cinthia foi levada para receber atendimento médico. Segundo Sosa, os cadetes realizavam "alguma atividade física" na Anapol, quando Cinthia desmaiou. "Ela foi transferida primeiro para o departamento de Saúde da Academia de Policiais e depois ao hospital Virgem de Copacabana para as atenções primárias", assinalou Sosa. Segundo relatórios médicos, Poma chegou em estado de coma à clínica e tentaram reanimá-la sem sucesso. Outras três cadetes foram internadas no mesmo hospital, duas por insuficiências respiratórias e uma terceira lesionada por um golpe na lombar. Uma das policiais já teve alta, enquanto as outras duas - uma está em no centro de terapia intensiva, "se recuperam favoravelmente", informou o Ministério de governo em comunicado. Os familiares de Cinthia e das cadetes feridas denunciaram que o grupo de estudantes a que elas pertenciam foi submetido na segunda-feira à tarde a castigos físicos por seus superiores, que incluíram obrigá-las a trotar pelo pátio da Anapol em meio a gás lacrimogêneo. O Ministério de governo, ao qual a polícia é vinculada, lamentou a morte de Cinthia e instruiu "o envio do caso à justiça comum para estabelecer as sanções penais correspondentes contra ele, ou aos autores do fato". "A pasta solicitou às autoridades da Universidade Policial uma investigação objetiva e rápida que será entregue ao Ministério Público junto aos exames do médico legista que estabeleçam as causas do lamentável falecimento da cadete Poma", acrescentou o comunicado. Na Bolívia são comuns os treinamentos extremos e castigos físicos a cadetes da polícia e das forças armadas, o que foi criticado e denunciado várias vezes por instituições defensoras dos direitos humanos. O Defensor público, Rolando Villena, denunciou em carta enviada na semana passada ao vice-presidente, Álvaro García Linera, que nos últimos três anos pelo menos 20 cadetes e soldados morreram em recintos militares e há além disso 300 denúncias de violação de direitos humanos nos quartéis. O Ministério da Defesa rebateu e afirmou que estão em curso investigações para esclarecer as mortes e denúncias e acusou Villena de buscar "protagonismo pessoal" e assumir uma posição "político-partidária de oposição ao governo". EFE gb/cd














