Capriles afirma que Maduro "representa o naufrágio da Venezuela"
Internacional|Do R7
Laura Barros. Valle de la Pascua (Venezuela), 21 mar (EFE).- O líder opositor venezuelano, Henrique Capriles, imerso em uma nova batalha pela presidência quatro meses após ter perdido a disputa eleitoral contra o falecido Hugo Chávez, assegurou nesta quinta-feira que seu rival e atual presidente interino, Nicolás Maduro, representa o "naufrágio" do país. "Se for governada por Nicolás, a Venezuela vai afundar, não tenho nenhuma dúvida de que Nicolás representa o naufrágio da Venezuela", declarou em entrevista à Agência Efe o advogado de 40 anos que governa o estado Miranda. Percorrendo o país como fez para o pleito de 7 de outubro do ano passado, Capriles se apresenta como um líder que assume sua responsabilidade "diante de milhões de pessoas" e do "momento histórico" que a Venezuela atravessa após a morte do homem que governou o país desde 1999. "Sem dúvida alguma, eu não ia deixar de lutar", respondeu aos que consideram um erro sua candidatura contra Maduro, indicado pelo próprio Chávez como seu sucessor e que, de acordo com as enquetes, está na frente do candidato opositor em intenções de voto. "Eu sei qual é o tamanho de nossas forças, sei qual é o tamanho das outras forças. Acho que existe uma oportunidade clara e real, e foi Deus quem nos deu, de vencer no dia 14 de abril", acrescentou, ao citar a data na qual os venezuelanos elegerão seu novo governante. Com o boné com as três cores da bandeira venezuelana que transformou em símbolo durante a última campanha e já com nove dos 23 estados venezuelanos visitados desde sábado passado, Capriles destacou que encontra "um povo na rua" e muita juventude. "Estou cheio de entusiasmo e esperança, porque na política e na matemática é questão de fazer contas", comentou. O candidato desprezou as denúncias sobre supostos planos para atentar contra sua vida, que considerou "típicas histórias que o governo inventa para tentar desviar a atenção" do que classificou como "problemas graves" da Venezuela, entre os quais citou o desabastecimento, a escassez, a desvalorização, a inflação e a violência. "Estamos em um cenário econômico muito difícil e o governo, para evitar que o debate seja esse, cria estas histórias e criará outras seguramente", garantiu. Capriles rejeitou também as "enquetes de comando de campanha", em alusão a algumas pesquisas que outorgam entre 15 e 18 pontos de vantagem a Maduro. Em relação à gestão de sua política internacional caso chegue à presidência, qualificou como "bobagem" as advertências oficiais sobre uma possível expulsão dos médicos que Cuba enviou à Venezuela e insistiu que não seguirá dando petróleo de presente a outros governos. "Nicolás não fala que é o candidato do senhor Raúl Castro (presidente de Cuba), porque assim é, porque o triunfo de Nicolás Maduro significaria entregar o país ao governo dos Castro", afirmou. Capriles ratificou que não presenteará o petróleo e que os países que têm capacidade para pagar "vão deixar de receber estes presentes", por trás dos quais, opinou, havia "um grande financiamento a projetos políticos". Esclareceu, no entanto, que acordos energéticos como Petrocaribe não desaparecerão por serem "relativamente pequenos frente ao tamanho do presente" a países que não identificou e cujo montante estimou em "quase US$ 7 bilhões". O opositor assinalou que a Venezuela não tem "nada em comum" com Belarus e Irã e os descreveu como "relações entre governos por projetos políticos", mas não esclareceu se anulará os acordos vigentes. Por outro lado, falou especificamente da China, e prometeu que, sem dúvida, terá relações que serão "muito melhores e em melhores termos que as que existem hoje". "Todas as relações internacionais comigo como presidente estarão orientadas para que essas relações favoreçam o povo venezuelano", acrescentou. E, perante uma derrota em 14 de abril, Capriles insistiu que sua meta é ganhar, e previu, sem dar detalhes, que "seja qual for o cenário em 15 de abril haverá um novo quadro político no país". Nas eleições presidenciais de outubro de 2012, Capriles perdeu com 44,13% dos votos contra 55,26% do falecido Chávez. EFE lb/rsd (fotos)











