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Cazaquistão: Tokayev vence eleições marcadas por repressão policial

Aliado do ex-presidente Nursultan Nazarbayev, ex-diplomata teria vencido a eleição realizada neste domingo (9), de acordo com a boca de urna

Internacional|Da EFE

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Qasim-Yomart Tokayev teria vencido as eleições presidenciais antecipadas deste domingo (9) no Cazaquistão, de acordo com pesquisas de boca de urna, em um dia marcado pela repressão policial aos protestos nas principais cidades do país.

"O mais importante no nosso país é a união. Não dá para cada eleição ser um campo de batalha, motivo de conflito. Precisamos de uma batalha de programas e de ideias", disse Tokayev no seu local de votação na capital cazaque, Nur-Sultan.


Leia também: Pela 1ª vez, uma mulher concorrerá à presidência no Cazaquistão

Conforme as pesquisas de boca de urna, o diplomata de carreira teria obtido cerca de 70% dos votos, muito longe dos 98% conseguidos em 2015 pelo "pai da nação", Nursultan Nazarbayev, que passou o cargo para ele em março deste ano. Aos 66 anos, Tokayev será o encarregado de dirigir a transição política no maior país da Ásia Central, embora nenhum analista espere que as mudanças sejam bruscas, já que a estabilidade é um dogma inabalável.


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Nazarbayev defendeu hoje a sua decisão de passar o poder a uma "nova geração" respeitando o espírito e a Constituição, mas o fato de que sua filha mais velha, Dariga Nazarbayev, estar à frente do Senado desperta suspeitas.

Sem sombra de dúvidas, Tokayev era o candidato preferido das grandes potências e dos investidores — ocidentais, chineses e russos —, que queriam uma transição ordenada e sem cataclismos. Porém, os desejos de mudança são cada vez maiores entre os cazaques, que se sentem saturados com a falta de alternância política, a corrupção, a impunidade dos oligarcas e a queda do nível de vida por causa da redução da renda pelas exportações de hidrocarbonetos.


Uma mostra desses anseios é que as pesquisas indicam que o segundo lugar ficará com o popular jornalista Amirzhan Kosanov, que alcançaria um resultado histórico para a oposição democrática e que oscilaria entre 14,96% e 15,39% dos apoios. Kosanov, o primeiro opositor a concorrer à presidência em 14 anos, conseguiu se destacar, apesar de a maioria das formações opositoras incentivarem um boicote eleitoral.

Já Daniya Yespayeva, além de fazer história por ser a primeira mulher a se candidatar ao posto de presidente do país, seria a terceira colocada, com resultados entre 4,78% e 5,32%.


"Eu acredito na reforma e, de fato, ela já começou", disse à Agência Efe.

Apesar das autoridades organizarem um forte esquema de policiamento, não foi possível evitar que centenas de pessoas fossem às ruas para protestar na capital, Nur-Sultan, e na segunda maior cidade do país, Almaty. De acordo com o Ministério de Interior, quase 500 pessoas foram presas. Entre elas está um jornalista estrangeiro, segundo as redes sociais.

Os participantes se reuniram em frente ao Palácio da Juventude, no centro antigo da capital cazaque, para pedir o fim da velha política, em referência a Nazarbayev, de 79 anos, que deixou a presidência, mas continua sendo o líder nas sombras, à frente do influente Conselho de Segurança.

Equipado com escudos e cassetetes, os agentes antidistúrbios levaram os manifestantes, a grande maioria jovens, para ônibus e vans da Polícia, e prenderam todos os que gravavam com o celular o que acontecia. O banqueiro Mukhtar Ablyazov, que está exilado na França e é reivindicado pela Justiça, passou os últimos dias usando as redes sociais para convocar a população para protestar nas ruas.

Muitos gritavam "Vergonha!" e "Boicote!", já que consideram que as eleições de hoje são sem alternativa real e a vitória do sucessor de Nazarbayev é certa.

O Ministério de Interior informou que o organizador dos protestos é uma organização extremista conhecida como Escolha Democrática do Cazaquistão (DVK, sigla em cazaque), liderada por Ablyazov.

Antes do explosão dos protestos, Tokayev recomendou às forças de segurança que fossem tolerantes, mas advertiu também que o governo "não fecharia os olhos" para graves violações da lei.

Segundo a Comissão Eleitoral Central, 77,4% dos quase 12 milhões de cazaques aptos a participar foram às urnas neste domingo a um dos 10 mil colégios eleitorais.

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