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Chernobyl 40 anos depois: como a vida voltou a crescer na zona mais radioativa do mundo

Vida selvagem se recuperou e reapareceu décadas após explosão do reator da usina nuclear na cidade ucraniana

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O acidente na usina de Chernobyl, que ocorreu há 40 anos, é considerado o maior desastre nuclear da história.
  • Mais de 350 mil pessoas foram retiradas e a área passou a ter severas restrições.
  • A radiação na região já diminuiu significativamente, permitindo a volta da vida selvagem, que inclui diversas espécies de animais.
  • A guerra recente na Ucrânia trouxe novos desafios e danos à infraestrutura da área, mas a ausência humana tem favorecido a recuperação ecológica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vista aérea da cidade de Pripyat, abandonada desde o acidente, situada a três quilômetros da usina nuclear de Chernobyl Petr Pavlicek/AIEA - julho/2025

Neste domingo (26), o desastre na usina nuclear de Chernobyl completa 40 anos. Considerado o maior acidente nuclear da história, o episódio mudou radicalmente a vida na região, em torno da cidade de Pripyat, na atual Ucrânia.

A radiação foi liberada após a explosão do reator 4 da usina durante um teste técnico. O impacto foi estimado em mais de 400 vezes o da bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão, em 1945. Mais de 350 mil pessoas foram retiradas da área ao redor da usina, na então União Soviética, e nunca mais puderam retornar. Uma zona de exclusão foi estabelecida, onde até hoje permanecem severas restrições à ocupação humana.


Embora não haja consenso sobre o número exato de vítimas, estimativas apontam que cerca de 15 mil pessoas morreram, seja imediatamente após a explosão ou nos meses seguintes.

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Como está a região de Chernobyl hoje

A radiação em grande parte da área já reduziu significativamente devido ao decaimento natural.


Ainda assim, visitantes precisam passar por detectores de radiação na entrada e na saída da zona de exclusão. Hoje, cerca de 3 mil pessoas trabalham na região em regime de revezamento, geralmente em ciclos de 15 dias dentro da zona e 15 dias fora, como forma de reduzir a exposição acumulada.

Nas proximidades da usina, o acesso é totalmente restrito. Além do risco de contaminação pelo ar, ainda existem pontos de solo altamente radioativo e objetos contaminados.


Nos últimos anos, a região também voltou a ser afetada por um novo conflito. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, Chernobyl ficou no caminho das tropas e foi ocupada temporariamente. O local sofreu saques, destruição de laboratórios e danos à infraestrutura científica.

Mesmo após a retomada do controle pelas forças ucranianas, em abril de 2022, os impactos da guerra continuam visíveis, com áreas minadas e restrições de acesso ainda em vigor.


Pripyat após o acidente da usina de Chernobyl USFCRFC

Vida selvagem reaparece

No ambiente, os danos iniciais causados pela tragédia nuclear também foram severos. A região conhecida como “Floresta Vermelha”, próxima à usina, foi uma das mais atingidas: pinheiros morreram instantaneamente e a vegetação adquiriu coloração avermelhada devido à alta radiação. Durante anos, acreditou-se que a área se tornaria inabitável por séculos.

O cenário, porém, mudou com o tempo. Hoje, a zona de exclusão de Chernobyl — que se estende por áreas da Ucrânia e Belarus — abriga uma diversidade surpreendente de vida selvagem, incluindo lobos, linces, bisões, cavalos-de-Przewalski e mais de 200 espécies de aves.

Pesquisas indicam que muitas populações se mantêm estáveis, apesar da radiação residual, sugerindo uma maior resistência da fauna ou possíveis adaptações ao ambiente extremo. Em alguns casos, foram observadas alterações, como mudanças na coloração de anfíbios ou efeitos fisiológicos em aves e insetos, mas sem comprometer a sobrevivência das populações.

Cientistas também destacam que a ausência humana pode ter favorecido o retorno da biodiversidade, tornando a região um raro exemplo de recuperação ecológica em meio a um desastre tecnológico.

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