China anuncia presença cada vez maior em assuntos internacionais
Internacional|Do R7
Macarena Vidal. Pequim, 9 mar (EFE).- O novo governo chinês prevê aumentar cada vez mais a presença do país nos assuntos internacionais para criar um sistema mundial mais "equilibrado", afirmou neste sábado o ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi, em sua entrevista coletiva de despedida. No evento no Palácio do Povo de Pequim, realizado durante as sessões da Assembleia Popular Nacional que na próxima semana nomeará o novo governo, Yang indicou que "a China participou e contribuirá à construção do sistema internacional". Parte de sua motivação para aumentar esta presença é a crença que "o sistema multilateral internacional do século 21 deveria ser mais representativo, mais justo e mais orientado aos resultados". Como exemplo desta maior participação, Yang, que deve ocupar um posto no Conselho de Estado - o Executivo chinês - após sua saída do ministério, lembrou que a China receberá no ano que vem a reunião anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). Além disso, neste ano planeja dar especial relevância, tanto em nível dos participantes como na escala do evento, ao Fórum de Boao, principal reunião econômica da Ásia e realizada todo ano na ilha de Hainan, no sudeste chinês. Está prevista a participação, entre outros, dos presidentes do México, Enrique Peña Nieto, e do Peru, Ollanta Humala. Outro que também estará presente ao fórum é Xi Jinping, que na semana que vem se tornará o novo chefe de Estado da República Popular. O fórum superará todos os anteriores, segundo Yang, que acrescentou que a reunião servirá para "elevar o perfil internacional da China". Antes de participar de Boao, e também em um sinal de quais serão as prioridades internacionais do novo governo, o futuro presidente da China terá visitado a Rússia e três países africanos, além de participar da quinta reunião das principais potências emergentes (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul - o Brics). Ao explicar por que este itinerário foi escolhido para a primeira viagem presidencial de Xi, Yang ressaltou que "China e Rússia se veem como uma oportunidade significativa de desenvolvimento e cooperação estratégica". Além da África do Sul, Xi também se deslocará à Tanzânia e à República Democrática do Congo, dois países onde a China investiu intensamente nos últimos anos. Perante as críticas em alguns setores ocidentais ao ingente investimento chinês na África, que chegou a ser tachado de neocolonialismo, o ministro pediu a "todas as partes" que respeitem a vontade dos países africanos em "escolher por eles mesmos seus parceiros de cooperação". "Esperamos que a cooperação entre China e África seja vista de uma forma objetiva", enfatizou Yang. Também assegurou que a China quer estabelecer um fórum de cooperação na América Latina junto aos países da região e os organismos regionais. Em sua entrevista coletiva, o ministro lançou uma mensagem conciliadora para os Estados Unidos, com quem a China mantém uma complexa relação, marcada por um grande fluxo comercial bilateral, mas também pela desconfiança mútua em seus objetivos geopolíticos na região da Ásia-Pacífico. Assim, perante a suspeita que desperta em Pequim o objetivo declarado de Washington de transformar a região em sua prioridade em política externa, Yang afirmou que "damos as boas-vindas a um papel construtivo dos EUA na Ásia-Pacífico, mas ao mesmo tempo devem respeitar os interesses e preocupações da China". O ministro fez referência também à nova escalada de tensão na península coreana, onde afirmou que as sanções contra Pyongyang "não são o caminho fundamental" para solucionar o conflito nuclear. "A única solução correta é manter negociações e atender às preocupações de todas as partes implicadas de uma forma equilibrada", considerou, antes de pedir o fim de "medidas que possam agravar a situação". Sobre a crise econômica europeia, o chefe da diplomacia chinesa assegurou que "acreditamos e esperamos que a Europa possa transformar esta crise em uma oportunidade para conseguir progressos em seu desenvolvimento". EFE mv/rsd









